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quarta-feira, 12 de junho de 2013

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Apelido



Um camarada mudou-se para uma cidade onde todos eram inapelavelmente alcunhados por algum apelido. Sua casinha tinha, na frente, uma grande árvore.

Não deu outra: passaram a chamá-lo de “Zé da Árvore”. Ele mandou cortar a árvore. Seu apelido mudou para “Zé do Tronco”. Arrancou o tronco, ficou o buraco.

Aí veio o novo apelido: “Zé do Buraco”. Ele tapou o buraco, certo que o problema estava, enfim, resolvido.

No outro dia, passou um cidadão sorridente pela sua porta e lhe disse, para sua surpresa:

— Bom dia, Seo Zé do Buraco Tapado!


Millôr Fernandes

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A primeira pedra




E os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério, e perguntaram a Jesus se ela não deveria ser apedrejada até a morte, como mandava a lei de Moisés. E disse Jesus: aquele entre vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra. E a vida da mulher foi poupada, pois nenhum dos seus acusadores era sem pecado. Assim está na Bíblia, evangelho de São João 8, 1 a 11.

Mas imagine que a Bíblia não tenha contado toda a história. Tudo o que realmente aconteceu naquela manhã, no Monte das Oliveiras. Na versão completa do episódio, um dos fariseus, depois de ouvir a frase de Jesus, pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Eu estou sem pecado!”

— Pera lá — diz Jesus, segurando o seu braço. — Você é um adultero conhecido. Larga a pedra.

— Ah. Pensei que adultério só fosse pecado para as mulheres — diz o fariseu, largando a pedra.

Outro fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, gritando: “Nunca cometi adultério, sou puro como um cordeiro recém-nascido!”

— Falando em cordeiro — diz Jesus, segurando o seu braço também — e aquele rebanho que você foi encarregado de trazer para o templo, mas no caminho desviou dez por cento para o seu próprio rebanho?

— Nunca ficou provado nada! — protesta o fariseu.

— Mas eu sei — diz Jesus. — Larga a pedra.

Um terceiro fariseu pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a adultera, dizendo: “Não só não sou corrupto como sempre combati a corrupção. Fui eu que denunciei o escândalo da propina paga mensalmente a sacerdotes para apoiar a os senhores do templo.”

— Mas foste tu o primeiro a receber propina — diz Jesus, segurando seu braço.

— No meu caso foi para melhor combater a corrupção!

— Larga a pedra.

Um quarto fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Não tenho pecados, nem da carne, nem de cupidez ou ganância!”

— Ah, é? — diz Jesus, segurando o seu braço. — E aquela viúva que exploravas, tirando-lhe todo o dinheiro?

— Mas isto foi há muito tempo, e a mulher já morreu.

— Larga a pedra, vai.

E quando os fariseus se afastam, um discípulo pergunta a Jesus:

— Mestre, que lição podemos tirar deste episódio?

— Evitem a hipocrisia e o moralismo relativo — diz Jesus.

E, pensando um pouco mais adiante:

— E, se possível, a política partidária.


Luis Fernando Verissimo

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Em tempo de eleição indireta em Campinas, entenda como quiser...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Morreram Chico Anysio









“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado.”

Chico Anysio e uma de suas célebres frases sobre política.


Seus personagens que imortalizaram os bordões:

“Eu tenho horror a pobre, quero que pobre se exploda. Pobre não nasce, aparece.”
Justo Veríssimo, político corrupto e salafrário.

“Pra quem ri di eu, minha vingança sará maligrina!”
Bento Carneiro, vampiro brasileiro.

“Sou, mas quem não é?”
“Derrama meu sangue, mas não derrama meu uísque”
Tavares, o alcoólatra.

“Não garavo”
 Alberto Roberto, ator canastrão.

“Aff, tô morta!...”
Painho, o pai-de-santo mais famoso do Brasil.

"Mas, hein?"
Coalhada, jogador de futebol perna-de-pau.

"É mentira, Terta?"
Coronel Pantaleão, mentiroso nato.

“E o salário, ó!”
“É vapt-vupt!”
Raimundo, o professor nordestino.




Clique nas imagens para ampliar.

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Charges: Dálcio Machado, Amarildo, Bennet, Chico Caruso e Quinho