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domingo, 10 de maio de 2015

Parte da trilha




Para alegria de fãs como eu, Susanne Sundfør foi convidada pra cantar a música tema do filme Oblivion. E ela arrebentou mais uma vez. Dona de um vocal espetacular e esplêndido essa cantora norueguesa comprova que qualquer projeto que a envolva é garantia de sucesso. Principalmente quando se junta a produtores de peso como o M83. 

A música, que também se chama Oblivion, que no filme só toca durante os créditos finais, é de uma melodia rebuscada e arrebatadora. Susanne solta a voz em grande estilo, entregando-se aos versos com muito sentimento, de forma incondicionalmente tocante, empregando um toque mágico - é de arrepiar. Sua flexibilidade vocal permite um desempenho inebriante. Não é à toa que esta música, assim como muitas outras de suas canções, faz parte da minha trilha sonora. Essa música é absolutamente brilhante, imponente e deslumbrante. Duvida? Então confira.


Aqui, a versão original com cenas do filme. E aqui você confere a letra (com tradução).


Márcio Luiz Soares

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sylvia Plath



Esta semana assisti a um comovente drama baseado em fatos reais: Sylvia - Paixão além de palavras, com Gwyneth Paltrow (ótima no filme) interpretando Sylvia Plath, poetiza americana que teve o seu primeiro poema publicado aos oito anos de idade, além de centenas de poemas escritos ainda em sua época de estudante. Considero o filme comovente pela forma como abordou a depressão que foi tomando, envolvendo e encurralando a personagem principal. O filme retrata o relacionamento da poetiza com o também poeta e escritor Ted Hughes (interpretado por Daniel Craig). 

Logo no início, acompanhamos o namoro dos dois, ainda como estudantes e cheios de criatividade literária. O filme segue mostrando seu casamento tumultuado enquanto trabalhavam e criavam dois filhos pequenos, passando por um misto de amargura e infidelidade, em meio ao sucesso de Hughes e a insatisfação profissional de Sylvia Plath. Após o divórcio, num período de poucos meses ela produziu as poesias surpreendentes que a faria muito mais famosa. Mesmo tendo atingido o sucesso que desejava e escrito um romance (A redoma de vidro - com o pseudônimo de Vitoria Lucas), a poetiza teve um fim trágico. 

Este drama é muito bom, embora triste e melancólico, vale a pena. A personagem, apesar da obsessão doentia, é envolvente. Seus poemas foram pouco explorados no filme, mas os que foram citados já denotam a carga emotiva e a qualidade textual peculiar da poetiza. 

Eu já conhecia algumas de suas poesias, mas agora, depois de ver este filme, fiquei muito mais interessado. Corri pra procurar seus textos na internet, e saber algo mais sobre sua vida. Fui muito influenciado pelo filme, claro, pois as poesias são narradas no filme de uma forma relativamente sombria e isto, admito, me atraiu bastante. 

Aliás, seus textos, além de muito confessionais, são deliciosamente sombrios. Gosto de textos que deixam algo no ar e que ao mesmo tempo expressam uma certa obscuridade, que o autor se expõe ou que parece se expor, querendo indicar algo que aparentemente só ele é capaz de ver ou de sentir. Não sei se consegui me expressar, mas o que quero dizer é que, como disse uma das personagens do filme, "há uma perturbação neles". E me identifico com isso também, principalmente por eu já ter rascunhados alguns textos sombrios que, de tão obscuros, não os tiros da gaveta. Pelo menos por enquanto. 

O que se observa na poesia de Sylvia Plath é a agressividade, o sarcasmo, o vasto uso de metáforas e a maneira como expressa suas emoções, fazendo com que o leitor imagine determinadas imagens (que beiram o surreal) e, por meio delas, é possível compreender seus sentimentos. Para mim, seja em poesias ou em qualquer tipo de texto, isto é bem marcante. Destaco: Daddy (Papaizinho); Ariel; Lady Lazarus; Mirrors (Espelhos); Words (Palavras); The Munich mannequins (Os manequins de Munique); e Frog Autumn (Outono de rã). 

Abaixo, reproduzi parte do diálogo que a personagem tem com seu ex-marido numa tentativa de reconciliação. 

Na sequência, a ótima poesia que abre o filme. E que abertura!


Márcio Luiz Soares

*
“Nem somos duas pessoas. Mesmo antes de nos conhecermos, éramos apenas duas metades andando por aí com grandes espaços vazios no formato de outra pessoa. Quando nos encontramos, finalmente nos completamos.”

*

A árvore da vida


Às vezes eu sonho com uma árvore,
E essa árvore é a minha vida.
Um galho é o homem com o qual me devo casar
E as folhas, os meus filhos.
Outro galho é o meu futuro como escritora.

E cada folha é um poema.

Um outro galho é a minha brilhante carreira acadêmica.
Mas enquanto eu estou lá, tentando escolher,
As folhas começam a ficar marrons e começam a cair
Até que a árvore fica completamente nua.


Sylvia Plath

*
Quer ver mais poesias dela? Então clique aqui e aqui. Também pesquise pelos títulos que mencionei - poderá encontrar várias traduções divergentes, já adianto. 

E como eu sou bonzinho, veja aqui a abertura do filme que encontrei no Youtube.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O repouso do guerreiro




“Quase tenho medo dele: não pensará em me perder? Para onde me arrasto? Eis que meu cérebro começa a abrigar noções irracionais de pecado, de queda, de vício, de perdição.”
Christiane Rochefort, in O repouso do guerreiro.


Recentemente, ao rever os livros da minha biblioteca, numa pequena arrumação insólita e praticamente improdutiva (improdutiva de tanto que eu mesmo me interrompia para ficar “namorando” os livros lidos e não lidos). E ao me deparar com O Repouso do Guerreiro, de Christiane Rochefortei, fui levado a fazer uma comparação: esta admirável escritora é, para mim, quase que a Clarice Lispector da França. Esse "quase" não permite que exista outra Clarice Lispector. Claro. Ela é única.

Este ótimo romance conta a história de Geneviève, uma jovem parisiense, estudante de psicologia muito educada e elegante, que se apaixona perdidamente por Renaud. E é essa paixão que a faz viver uma grande desilusão.

Renaud é um ex-soldado que perdeu a esperança após o bombardeio de Hiroshima e que dez anos mais tarde tenta se matar em um hotel de uma pequena cidade. Geneviève o encontra acidentalmente, salva sua vida, e torna-se sua amante. E com ele tem seus primeiros orgasmos.

Mas nem tudo é bonito e prazeroso nesse relacionamento: Renaud é uma pessoa muito atormentada, exigente, desprezível e rejeita o mundo como um todo. Além de ser violento e impedir Geneviève de rever amigos e a família. Ele acredita que Geneviève é guiada principalmente pelo apetite sexual e quer forçá-la a admitir. E isso faz com que se refugiem em delírios, mas é nessa devassidão que um se anula diante do outro.

A história é centrada na relação ambígua dos dois personagens principais. Não podemos deixar de perguntar por que Geneviève se agarra tão teimosamente a um personagem tão desprezível que inadvertidamente recusa o amor que recebe dela e que ainda insiste em afirmar que ela confunde o desejo sexual com amor sincero justamente por estarem intimamente ligados. O que nos leva a pensar no que exatamente ele teme. Ser pego em uma rotina? Teme ser pertencido a alguém? Tornar-se um hipócrita? No entanto, seja o que for que o impede de se entregar ou de deixar a jovem viver serenamente (sozinha, claro), fica evidente que sua própria arrogância não o impede de se odiar, sendo que é isso mesmo que o desconforta. E pra piorar faz questão de levar sua amante com ele em sua podridão desmesurada.

No decorrer da narrativa o que vemos, e o que nos revolta, é a decadência de uma mulher que faz tudo por amor e o quanto é fortemente afetada pela sua relação emocional e sexual, se afastando do seu mundo, correto e muito seguro, para embarcar numa submissão que aparentemente não terá fim. Tudo nos leva a imaginar que ela vai aceitar o pior e chegar ao fundo do abismo físico e moral.

Até que ponto uma mulher pode se perder em nome de uma paixão? E, afinal, qual é a tênue divisão entre moral, obsessão, decadência moral, dignidade, submissão e prazer? Aquela doce loucura deliciosa de se viver é sempre fascinante e intrigante, mas qual é o limite?

O título e os acontecimentos desse ótimo romance, que exalta a redenção, de forma alguma chega a enganar os leitores: a mulher é, sem dúvida alguma, o perfeito descanso do guerreiro.

A recíproca não é verdadeira.


Márcio Luiz Soares
*
Confira um trecho do livro aqui.

* * *
Imagem: frame do filme francês homônimo. O romance foi adaptado para o cinema em 1962, com direção de Roger Vadim e com a participação de Brigitthe Bardot no papel principal.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

The Lighthouse




The Lighthouse, de Po Chou Chi.
Confira por que essa bela animação ganhou 27 prêmios internacionais.



Falar dessa animação é tarefa difícil, quase banal. Talvez por isso Po Chou Chi, o jovem diretor, natural de Taiwan, radicado em Los Angeles, não usou nenhuma palavra em The Lighthouse (O Farol).

Cheio de sutilezas e simbolismos, o filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, do crescimento, de amor e respeito. Mostra, em pouco mais de 7 minutos, o crescimento, o aprendizado, a partida, o retorno e o envelhecimento. E o fim, que é também começo.

O Farol é a casa, o lar, o porto seguro, o sinalizador de que está tudo certo, o abraço do pai. Os barcos a um só tempo simbolizam as conquistas, mas também as indas e vindas. Cartas são escritas, o pai espera, as estações mudam, e o inverno chega.

Tudo embalado, como a cereja do bolo, pelo delicado piano de Chien Yu Huang.

O Farol, como não podia deixar de ser, foi dedicado aos pais de Po Chou Chi.

Rita de Sousa
(Coluna do Ricardo Setti - Veja.com, 12/8/2012)

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Palhaço





Um amigo convidou-me a ver o filme, sobre o qual sabia pouca coisa a não ser um pedaço de uma entrevista de Marília Gabriela com Selton Melo, que vi numa zapeada rápida num fim de noite e que me instigou a querer saber mais.

Gosto das coisas que Selton Melo faz. Divirto-me às terças-feiras com a tal “Mulher invisível”, de sua direção, onde dá pra captar um jeito diferente de mostrar situações banais, engraçadas, mas reais.

Selton superou-se neste filme. Mostrou-se dono de uma sensibilidade sem igual e aprisiona o telespectador fazendo com ele uma conexão de sintonia fina. Logo me lembrei de “Noites de Cabíria” (Fellini) com Giulietta Masina. Aquele realismo intimista que nos pega de surpresa, e nos atinge.

Apesar dos palhaços, o filme me causou tristeza. E é nesta antítese, creio eu, que reside toda sua beleza.

A simplicidade comovente das personagens, do cenário, das locações; um Brasil que nos esquecemos que ainda existe em algum ponto do mapa convivendo lado a lado com a modernidade das metrópoles.

Aquele cenário mineiro com as serras azuladas, contornando o horizonte... os campos... as casas pobres. Pobres, não, miseráveis. A caipirice bonita e singela dos excluídos que ainda são tantos me levou a Guimarães Rosa e sua frase que amo: “... Dá-me um silêncio e eu conto”.

Tocante, pelo menos pra mim, foi a preocupação do personagem com a necessidade do outro; ora era o sutiã que a gorda senhora precisava que não lhe saía da cabeça, e tentava consegui-lo das formas mais esdrúxulas; ora, era o ventilador que lhe ocupava os pensamentos como num delírio.

Um filme que conseguiu se impor com poucas palavras, sem “purpurina” alguma, o que desmente a canção de Gil: ”quanto mais purpurina, melhor”. Nenhum efeito especial tão em moda, que faz o delírio de Hollywood. Apenas um sentimento dramático, intenso, imenso, permeava entre as personagens, tanto quando estavam tentando viver com dignidade de sobreviventes, “suas próprias vidas”, em suas casas de lona, ou quando se travestiam escondendo seu verdadeiro eu nas máscaras de suas “personas,” e entravam em cena. O olhar, o jeito de falar, o sorriso ou o choro, o tom da voz denotavam uma carga grande de dramaticidade em meio à simplicidade.

Aqueles encontros após o espetáculo, quando sozinhos, ou aos pares amorosos, cantavam, riam, brincavam ao som de um violão solitário, foi aprisionador para a sensibilidade de qualquer mulher intuitiva. Donde concluí que a felicidade independe de hora e lugar. Só depende de instantes. E cada qual consegue segurar o seu quinhão seja a que preço for, mesmo que por momentos.

Aquela lona rota, as roupas meio esfarrapadas, a falta de “glamour” contrastavam com a garra, a coragem, a lealdade, a amizade. Contrastou, também, em meio a tanta grandeza, a safadeza da mulher que enganosamente pensava estar trapaceando o homem que a amava. Que engano. Trapaceou-se a si própria.

É o tal feitiço virando contra o feiticeiro.

Engraçado, como o coração humano se acostuma com situações as mais perversas. Isto se aplica a todas as fases, épocas e meandros da vida.

Aquele sol escaldante, aquela estrada poeirenta, aquele caminhão caindo aos pedaços, os diferentes sonhos dentro de cada coração, a luta pelo existir, pelo simplesmente ser, onde o ter não ocupava qualquer resquício de espaço.

Sempre alguém querendo se aproveitar da situação e tirar algum proveito. O prefeito que queria fazer do filho um “Olavo Bilac” das Gerais, o fiscal da prefeitura que queria ingressos de graça. Um agir bem “macunaíma", bem ao espírito do caráter brasileiro.

Não sei explicar direito, mas esse bater de frente com toda essa realidade que agora nos foge à vista, mas, até alguns anos atrás, tão comum no interior do país, me deixou mexida. Apesar das risadas que dei com algumas situações, saí triste do cinema.

E acabei me lembrando da célebre frase de John Donne: “Por quem os sinos dobram”? Eles dobram por mim mesma.

Maldita lucidez!


Ercília Pollice

* * *

Este filme me tocou profundamente. Selton Mello teve como principal objetivo, na criação do roteiro e na direção segura, tocar o âmago de cada espectador. Com certeza ele não conseguiu o seu intuito com a grande maioria, pois este tipo de sensibilidade, precisa e interpretativa, é reservada para um determinado grupo.

A minha amiga Ercília, autora do texto, faz parte deste grupo, pois exaltou o filme com muita propriedade, de forma aguçada, pertinente e coerente com a narrativa da película, que é a de mostrar a realidade dos artistas circenses de outrora e de hoje. Além de procurar mostrar, também, as esperanças, os erros e acertos, as perseveranças, e, principalmente, as tristezas que, obrigatoriamente ou não, estes artistas dividem com a comicidade. Decidiram viver divertindo e alegrando os outros, e assim, simplesmente vivem.

*
Hoje, 10 de dezembro, é comemorado o Dia do Palhaço, parabéns a estas pessoas que preenchem as vidas das crianças de uma encantadora alegria.

Márcio Luiz Soares

domingo, 16 de outubro de 2011

Existência





Só existo de verdade quando estou escondido numa brecha do tempo no Hotel Danúbio, quando não há roupas nem medo, vergonha nem fingimento, quando somos só desejo e confiança. No resto do tempo me sinto uma cópia falsificada de mim mesmo.


Extraído do filme As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky.

***
Imagem: pivesives (Flickr).

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma hora de amor




Se eu tivesse somente uma hora de amor
Se fosse a única coisa que eu teria
Uma hora de amor
Nesta terra
Meu amor então
Eu te daria.

(Um Mouro)

* * *
Extraído do filme Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson. O poema, provavelmente, faz referências à peça Othello, de William Shakespeare, comentada no filme. Filmão!

* * *
Imagem: cena do filme.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cisne Negro




Ontem fui assistir Cisne Negro e fiquei impressionado. Trata-se de um filme fora do comum, muito intrigante, muito profundo, e que pode ser interpretado em muitos níveis. E é de tirar o fôlego. Resumindo, é muito impactante.

Logo que o filme começa pede uma atenção especial ao espectador. Não é qualquer atenção, como na maioria dos filmes. Tem que perceber os detalhes, se concentrando nas ações, nos movimentos. Aliás, no filme todo! Detalhes existentes até na cena da mutilação de um novo par de sapatos de balé, cena em que fica notório o quanto sofre uma bailarina, que sacrifícios precisa fazer para ter nem que seja um pequeno papel de destaque. Foi a partir daí que percebi o quanto iria sofrer junto com a personagem da Natalie Portman, Nina. Detalhes. Entendeu?

Rapidamente viajamos na trama, acompanhando e torcendo para que Nina, uma pessoa que sente intensamente a necessidade de, finalmente, assumir o papel de uma vida, antes de cair no esquecimento. Sentimos, ou embarcamos, em sua angustia de não conseguir atingir a perfeição para o papel do Cisne Negro na peça O Lago dos Cisnes, muito embora seja perfeita para encarnar o papel de Cisne Branco, só que obrigatoriamente tem que ser realizado pela mesma bailarina. Passei boa parte do filme torcendo para que Nina se soltasse, que deixasse sua grande passividade diante dos obstáculos e fosse agressivamente ambiciosa e decidida. Ela teme deixar sua técnica de lado caso se entregue à paixão na tentativa de melhorar seu desempenho. Tornar-se o Cisne Negro não exigiria pouco de si mesma, deveria entregar-se mais, de uma forma que imaginava ser impossível, inatingível. E isso a incomodava muito.

O Lago dos Cisnes exige uma dançarina que atue tanto como o Cisne Branco com inocência e graça, e como o Cisne Negro, que representa a malícia e sensualidade. Nina se encaixa no papel do Cisne Branco perfeitamente, mas tem pela frente uma concorrente que é a própria personificação do Cisne Negro. E nessa rivalidade Nina começa a ficar mais em contato com seu lado obscuro, com uma imprudência que ameaça destruí-la.

Pra piorar, o mundo de Nina é muito pequeno. Ela tem que se submeter aos caprichos de uma mãe superprotetora, mora num apartamento apertado e divide um camarim abarrotado de coisas com um bando de dançarinas. Dá uma certa sensação de claustrofobia – que é o que o diretor queria passar mesmo. Atrás de cada canto parece que paira uma ameaça. Sem falar da sensação de frustração iminente, dando a entender que Nina vai se ferrar a qualquer momento. É o peso da pressão, somado ao da superação que precisa ser conquistada, mas tudo isso junto com a enorme necessidade de atingir a perfeição. Só que pra atrapalhar um pouquinho, Nina passa por crises de medo e de subjugação e é nisso que o trabalho da atriz Natalie Portman demonstra ser magistral, fazendo que o filme não seja um simples melodrama. Simplesmente brilhante. Sem uma grande atuação da atriz principal, o filme seria bom, ficaria acima da média, obviamente, porém, seria frio, seco e não seria tão fantástico.

E fantástico seria dizer o mínimo. Méritos para o diretor, o sempre surpreendente Aronofsky, que consegue um equilíbrio convincente entre o surreal e o real, fazendo a gente se infiltrar na psique de Nina. Uma grande sacada é a constante utilização de espelhos que simbolicamente reflete a mente atormentada da bailarina. Ela passa por tudo aquilo mesmo ou estava só imaginando? O que é real e o que é alucinação?

O diretor nos leva a um grande labirinto sobre a questão da sanidade de Nina e sobre a obsessão pela perfeição e que caminho foi seguido dentro deste labirinto, tendo em vista a rigorosa disciplina do balé. Ele consegue fazer o filme crescer a cada minuto, a cada frame, culminando num desfecho arrasador, para, enfim, nos apresentar uma personagem que soube passar o que aprendeu a duras penas (sem trocadilho). Soube passar o que aprendeu tanto aos companheiros da apresentação do balé quanto ao público do filme Cisne Negro. E você não pode ficar de fora disso.




terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Alter ego





Bill (David Carradine) atira um dardo com o soro da verdade em Beatrix Kiddo (Uma Thurman). Enquanto a droga não faz efeito, ele conversa com ela sobre o seu personagem de HQ favorito.


Bill - Como você sabe, eu gosto muito de revistas em quadrinhos. Especialmente aquelas sobre super-heróis. Considero toda a mitologia envolvendo super-heróis fascinante. Veja meu super-herói favorito, o Super-Homem. Não é uma ótima revista, não foi bem desenhada, mas a mitologia... A mitologia não só é ótima, é única.

Beatrix - Quanto tempo esta merda leva para fazer efeito?

Bill - Uns dois minutos. O bastante para eu concluir meu raciocínio. Daí que a base da mitologia do super-herói é que há super-herói e há o alter ego. Batman, na verdade, é Bruce Waine. O Homem-Aranha é Peter Parker. Quando o personagem acorda de manhã ele é Peter Parker. Ele tem de vestir uma fantasia para se tornar o Homem-Aranha. E é por causa desta característica que o Super-Homem se destaca. O Super-Homem não se tornou Super-Homem. O Super-Homem nasceu Super-Homem. Quando o Super-Homem acorda, ele é o Super-Homem. O alter ego dele é Clark Kent. A roupa dele, com um grande “S” vermelho, é feita do manto que o envolvia quando os Kents o encontraram. Aquela roupa é dele. O que Kent usa, os óculos, o terno executivo, essa é a fantasia. Essa é a fantasia que o Super-Homem usa para viver entre nós. Clark Kent é como o Super-Homem nos vê. E quais são as características de Clark Kent?

Beatrix - Ele é fraco...

Bill - Ele é inseguro, ele é um covarde. Clark Kent é a crítica do Super-Homem de toda a raça humana.


Diálogo extraído do filme Kill Bill – Volume 2, de Quentin Tarantino.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vingança





A vingança nunca é uma linha reta. É como uma floresta onde é fácil perder o rumo e esquecer por onde entramos.


Frase extraída do filme Kill Bill - Volume 1, de Quentin Tarantino.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Procurando Elly






Faz um bom tempo que não comento sobre filmes por aqui e para começar bem o ano falando sobre isso, nada melhor que comentando sobre um ótimo filme. Na semana passada, em Santos, tive a grata surpresa de ver em cartaz Procurando Elly. Aliás, nos últimos anos sempre tenho assistido a bons filmes nesta cidade. No ano passado foi lá que vi Se fosse você 2, que até estou com vontade de rever.

Um filme de suspense de altíssima qualidade, recheado de diálogos ásperos e interpretações viscerais do elenco, Procurando Elly surpreende desde a cena inicial, num roteiro pouco convencional. A trama se passa no Irã e mostra uma viagem de grupo de amigos bem-humorados e cheios de entusiasmo, numa atmosfera bem leve e descontraída – mostrando, por sinal, uma faceta que eu não esperava daquele país, ainda mais com carros franceses e o uso do celular, aparentemente tão ocidentalizado.

O grupo de amigos, formado por alguns casais e crianças, sai de Teerã para passar um fim de semana numa casa na praia. Fazem parte da turma, dois solteiros, Ahmad, um cara recém divorciado que mora na Alemanha e a Elly do título, uma professora da filha da ingênua Sepideh, que promoveu o encontro entre os solteiros. Os amigos de Ahmad armam algumas situações para que os dois possam se conhecer melhor, mas Elly demonstra uma certa timidez e se esquiva um pouco, e de uma hora para outra insiste que precisa ir embora. Porém, a amiga tenta fazer de tudo para impedir. E sem explicação aparente, Elly desaparece.

A partir daí o clima muda, fica sombrio, vertiginoso, confuso e tenso. Vários personagens acusam um ou outro pelo desaparecimento da moça, chegando a exibir o lado escuro de suas personalidades, mostrando suas desavenças, cada um procurando livrar a própria cara, até que iniciam uma investigação para tentar encontrar Elly.

Aos poucos, entre verdades e mentiras, permeadas de críticas contra a pobre da moça, surgem algumas surpresas que fazem a gente perceber que há muito mais por trás do misterioso sumiço de Elly. Os personagens e nós, passivos espectadores, tal como eles, todos aflitos, descobrem quem realmente era Elly. Ao mesmo tempo, vamos entendendo melhor os costumes e os conflitos éticos e culturais iranianos, com dogmas tão arraigados e difíceis de serem superados. Além de ficar muito mais evidente o quanto a omissão pode ser bem mais destrutiva que qualquer outra coisa. Principalmente num país fundamentalista onde a mulher iraniana não tem vontade própria, passando obrigatoriamente por situações hostis.

Numa narrativa tortuosamente arquitetada, numa direção preciosa de Asghar Farhadi, num roteiro com detalhes apenas aparentemente casuais, a gente acompanha profundamente o desespero de cada um e o quanto um simples passeio pode se tornar um inferno. Eu, particularmente, me coloquei lá dentro da casa, chocado e intensamente curioso com o que aconteceu com ela. E no final, quando estão tentando tirar um carro atolado na areia da praia, me vi rindo silenciosamente da situação dos personagens, pois a cena, ironicamente, sintetiza de forma emblemática o estrago que os dias que, outrora, foram reservados para alegria e prazer provocaram no sentimento de todos.

Destaco especialmente uma outra cena. É quando Elly está brincando com as crianças, empinando uma pipa na praia. A sequência é espetacular, com a câmera acompanhando a personagem, com cortes abruptos, mostrando Elly indo e vindo, rindo, toda contente, leve e solta e, num dado momento, tudo isso é interrompido sem maiores explicações.

Outra coisa que destaco é a fotografia do filme. As cenas, na primeira parte, são bem iluminadas, ambientando a alegria. Já na segunda parte, são escuras, para exaltar a tensão que o roteiro exige. Tudo isso são detalhes que enriquecem este filme que é cinema puro. Além de apresentar um ótimo retrato das relações humanas, contribuindo, assim, à reflexão sobre as nossas próprias relações. Recomendo. Não perca a chance de assistir, especialmente se você curte filmes não hollywoodianos. Pena que não se vê muito disso nos cinemas brasileiros.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ocupando a mesma jaula






“Eu não vivo com você. Nós ocupamos a mesma jaula'', diz Margaret (Elizabeth Taylor) ao personagem Brick (Paul Newman) em ''Gata em Teto de Zinco Quente'' (1958), no filme de Richard Brooks, baseado na peça de Tennessee Williams.

Filme que recomendo para todo mundo. Além das ótimas interpretações, os diálogos deixam os apreciadores da palavra totalmente alucinados diante de tanta maravilha.

Encontrei esta frase memorável no UOL Cinema. Quem já assistiu ao filme, sabe o quanto é significante na trama, nos levando a refletir na estranha prisão interior em que os personagens se submetem.

Esta frase cabe na vida (se é que podemos chamar uma relação assim de vida) de muitos casais no mundo inteiro. Nem todos sobrevivem. Nem todos suportam. Nem todos fingem que não acontece.

Nem todos percebem. O que é pior.

sábado, 6 de junho de 2009

Borboletas





Minha mãe colecionava borboletas. Há oito dias ela morreu de câncer nos ossos. Não deixou nada, além de borboletas e pensei que triste é ir-se assim, deixando para trás lagartas com asas. Mas no dia em que morreu, chegaram as borboletas. Nunca tinha acontecido, mas nesse dia, a cidade ficou cheia de borboletas.

Às vezes, o que você é não se vê nas coisas que deixa. Às vezes, as coisas são ditas quando você já não fala. E outras vezes, chegam realmente voando entre o asfalto e as nuvens do céu.

Entre duas estações do metrô, de pé na calçada em uma terça-feira, às 17h30, eu entendi que há coisas assim. Coisas que você adivinha. Levantar a vista no momento de encontrar-se com outro olhar. Olhar para o telefone quando toca. Palavras que diz ao mesmo tempo que outra pessoa. Pressentimentos. Amigos que chegam justamente no momento que mais precisa.

Déjà vu. Amor verdadeiro. Justiça divina. Coincidências. Música. Sorriso. Perdão. Borboletas.


* * *

Extraído do filme mexicano Efeitos Secundários. Uma comédia romântica sem maiores pretensões, gostosa de assistir. O filme mostra o reencontro de amigos de escola, doze anos depois, quando já estão beirando os trinta anos. O longa mostra de maneira interessante o questionamento sobre as mudanças ocorridas na vida de cada personagem e como as lembranças podem suscitar vinganças, acidentes, frustrações amorosas e situações inusitadas. Recomendo.

Aproveita e curta o clipe bem legal que encontrei. A música faz parte da trilha sonora do filme. É só clicar e se deliciar com a música.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Wolverine







“Sou o melhor naquilo que faço, mas o que faço
não é nada bonito de se ver”
Logan/Wolverine


Eu gostei do filme X-Men Origens: Wolverine. E não foi apenas por ser fã do personagem. A diversão é garantida, apesar do longa ser um pouco fraco em um ou outro momento. E mais uma vez assisti com os olhos de cinéfilo e não com olhos de leitor de histórias em quadrinhos – nunca espero perfeição nas adaptações. Sei que é difícil separar e não comparar, mas tenho conseguido, relativamente. Ao menos enquanto estou na sala de cinema. Mesmo fazendo essa separação, sendo leitor de HQ fica mais fácil aceitar as cenas de ação que são pura marmelada. Como a grande maioria dos filmes de ação abusa nisso, então isso já se tornou passável. Mesmo se eu comparasse o filme com as diversas HQ do Wolverine, especialmente com a graphic novel que trata da sua origem, consideraria um bom entretenimento, com um ou outro furo do roteiro e algumas mudanças inaceitáveis para um fã do personagem.

O roteiro é muito movimentado, de muitas reviravoltas e alguns momentos inesperados. Gostei das diversas cenas de luta e de explosões (o filme tem ação quase o tempo todo) e da sensacional e vibrante interpretação de Hugh Jackman como Wolverine (também conhecido como Logan, ou, ainda, James Howlett, seu nome de batismo). Foi a quarta vez que ele interpretou o mutante e se superou desta vez. Faltaram as cenas de raiva pura em que ele dilacera tudo e todos pela frente, com muita violência e muito sangue, demonstrando todo seu aspecto brutal de antes de fazer parte do X-Men. Porém, isso não influencia muito na caracterização do personagem da franquia (da franquia cinematográfica e não da HQ) e nem quebra o ritmo do filme.

O começo é bem sombrio, e isso, sim, fez falta no restante da fita. Fez falta até mesmo quando Victor Creed (ou Dentes-de-sabre, vivido pelo ótimo Liev Schreiber) aparece em cena, junto com o clima de vingança e o cheiro da morte iminente (para dois personagens que possuem o poder de cura, isso nem conta muito). Aliás, Scheiber fez um personagem convicente: escroto, manipulador e malicioso. Sem falar do aspecto físico. Muito diferente daquele insosso e um pouco ridículo que aparece no primeiro X-Men.

O filme conta também com uma bonitinha e leve história de amor entre Logan e Silver Fox, musa que o inspirou a adotar o nome Wolverine; como surgiu esse nome; como o adamantium (o metal mais duro do universo da HQ) foi implantado no corpo do Logan; muita vingança; uma cena chocante (e apelativa) que envolve um casal de velhinhos; e uma relação complicada com o rancoroso Victor Creed, seu meio-irmão. A sequência em que estes dois vão passando por diversas guerras durante décadas, numa bacana montagem, é uma das melhores do filme.

Uma dica para quem pretende assistir ao filme no cinema: aguarde os créditos finais, porque tem mais uma cena do filme enquanto eles rolam (sempre que posso, espero até o fim). Na verdade, conforme me disseram, foram gravadas três cenas diferentes e infelizmente cada sala de cinema só passa uma delas. Ou seja, existem três “finais” diferentes. Fique tranquilo, pois nenhum deles compromete e obviamente fará parte dos extras do lançamento em DVD – é só aguardar.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A fila anda





Hoje voltei para casa conversando com minha amiga Fabiana e falamos sobre o filme Ele não está tão afim de você. Ela concordou com todas as dicas dadas por um dos personagens masculinos, sobre como perceber se um cara está ou não querendo algo, nem que de leve, com uma mulher. Também vi o filme e, em parte, concordei com ela.

O filme é leve (embora um pouco longo para este gênero), uma comédia romântica gostosa, tem umas sacadas legais, não apenas do universo masculino, do feminino também. Tem a presença de diversos astros de Hollywood, como Drew Barrymore, Jennifer Aniston, Scarlett Johansson, Jennifer Connelly (que me valeram o ingresso) e Ben Afleck. O título já entrega o que veremos na tela: se os homens não ligam de volta para as mulheres, se não as procuram após uma conversa é porque não estão interessados. Que é melhor desistir, que não se deve ficar insistindo, esperando toda ansiosa – só vai ficar se enganando, se iludindo e a realidade espatifa no rosto de modo bem dolorido. Os conselhos são úteis para algumas mulheres, eu suponho.

O engraçado é que realmente me identifiquei com um dos personagens, aquele que mostra para uma das garotas que o cara que ela está querendo nada quer com ela - já me vi fazendo isso algumas vezes. Na verdade, é difícil não concordar com as atitudes e posicionamentos de determinados personagens diante de algumas situações. Como o interpretado pelo Ben Afleck que se recusava a casar, achando ser uma grande besteira desnecessária, que seu relacionamento de sete anos morando junto com a amada já provava isso. As pessoas, (pelo menos as mais vividas) enquanto assistem ao filme, reconhecem de imediato que uma coisa ou outra já aconteceu com elas ou com alguém conhecido, que já tomamos atitudes parecidas ou que deveríamos ter tomado, ou que um ou outro conselho elas ouviram ou deram. O filme não aprofunda tanto quanto deveria, pois não menciona aqueles homens que até dão um retorno, ligam de vez em quando papa papear, mas é para manter na lista numa hora de aperto.

Lembro que numa roda de bar, com diversos homens e mulheres, eu mesmo lancei a pergunta direcionada às mulheres: “Já inventaram desculpas no lugar dos caras que não estavam afim de vocês? Tipo: ah, ele não ligou porque deve ter perdido meu cartão ou teve que fazer uma longa viagem e esqueceu de pegar meu número, mas quando voltar será a primeira coisa que vai fazer; ou, ainda, ele esqueceu de tirar o papel, onde anotou meu telefone, do bolso da camisa que colocou na máquina de lavar”. E mais: “Confessem: não cogitaram situações que nada tem a ver com a mentalidade masculina?”.

Choveram respostas: cômicas (não podiam faltar), algumas até descabidas e impensáveis. A maioria concordou e foi exatamente pelo fato de desconhecerem o que se passa na cabeça de um homem quando o assunto é esse. Uma ou outra, bem safas, bem espertas, nunca caíram nessa.

De maneira geral, elas sabem muito sobre nós, nossas preferências, nossas fantasias, nossas fraquezas, mas vivem passando por situações desse tipo, até que caiam na real, que sofram bastante, iludidas. E algumas vezes por qualquer bobagem. Outras já passaram por isso, no entanto, voltam a bater o nariz na porta.

Filmes assim, ou livros que tratam deste tema, de forma divertida ou não, devem servir muito bem para um certo grupo de mulheres. Talvez para as mais inexperientes ou sonsas, mas, mesmo assim, encaro essas produções como um tanto quanto supérfluas (a não ser que sejam feitas apenas para divertir e explorar o cotidiano). Afirmo isso porque entendo que a própria vida vai ensinando, mesmo que se apanhe ou tenha que tropeçar várias vezes para aprender, como em diversas situações. Ou será que existem muitas mulheres que se enchem de esperanças eternas no mundo da paquera e do “ficar” em que a palavra de ordem atual é “a fila anda”?

domingo, 29 de março de 2009

Ela está em toda parte





Morpheus: Eu imagino que, neste momento, você deva estar se sentindo como Alice. Humm? Despencando pela toca do coelho?
Neo: Por aí...
Morpheus: Eu vejo em seus olhos. Você tem o olhar de um homem que aceita o que vê porque está esperando acordar. Ironicamente, isso não está longe da verdade. Você acredita em seu destino, Neo?
Neo: Não.
Morpheus: Por que não?
Neo: Eu não gosto da idéia de que eu não controlo minha vida.
Morpheus: Eu sei exatamente o que você quer dizer. Deixe-me dizer por que você está aqui. Você está aqui porque sabe de algo. O que você sabe, não consegue explicar, mas você pode sentir. Você sentiu sua vida inteira, que algo está errado com o mundo. Você não sabe o que é, mas está lá, como uma farpa em sua mente, te deixando louco. Foi essa sensação que o trouxe até mim. Você sabe do que eu estou falando?
Neo: Matrix.
Morpheus: Você quer saber o que é?
Neo: Sim.
Morpheus: Matrix está em toda parte. Ao nosso redor. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olhar por sua janela ou quando você liga a TV. Você a sente quando vai trabalhar... Quando vai à igreja... Quando paga seus impostos. É o mundo posto ante seus olhos para cegá-lo da verdade.
Neo: Que verdade?
Morpheus: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Em uma prisão que você não pode provar ou enxergar ou tocar. Uma prisão para sua mente... Infelizmente, é impossível dizer a alguém o que é Matrix. Você tem de ver com seus próprios olhos.

* * *

Este ano, o filme Matrix está completando dez anos. Um filme que, para mim, revolucionou o cinema. Extraiu conceitos filosóficos de diversas fontes e os reuniu de maneira inovadora. Sem falar do abuso tecnológico. Um show de imagens.

Me lembro que na época estava ansioso por uma novidade impactante no mundo da ficção científica, e o filme correspondeu às minhas expectativas. Induzido pelo filme, saí do cinema refletindo sobre alguns questionamentos e acabei desejando tomar a pílula vermelha. Para quem não sabe ou não lembra: a pílula vermelha provocava a descoberta da verdade e a azul para voltar a viver na Matrix (uma falsa realidade).

Mas será que não tomamos as pílulas vermelhas e azuis o tempo todo? Quando se deve tomar uma delas? Para alguns as vermelhas devem continuar escondidas no fundo da gaveta. Para outros, só existem as azuis.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Coraline



Hoje uma amiga me telefonou perguntando se eu poderia ajudar na escolha de um filme. Ela estava com sua filha e uma sobrinha diante da bilheteria do cinema e ainda não tinham decidido qual filme iriam assistir. Achei estranho, já que as crianças estão mais decididas com relação a isso. Ela então me passou a lista e, mesmo não tendo assistido aos outros, eu não hesitei, respondi de imediato: Coraline. E eu que pensava que nem estava mais em cartaz. Melhor para elas. Devem ter gostado muito, como eu e a Giulia, minha princesa. Gostamos tanto que até cogitamos de ver novamente no mesmo dia.

Coraline e o Mundo Secreto é mais uma adaptação de uma obra de Neil Gaiman. Infelizmente não acompanhei muito as obras dele nos quadrinhos e nos livros infantis, mas tenho procurado ver o que sai no cinema. Os últimos que vi foram A Lenda de Beowulf e a Stardust - O Mistério da Estrela Cadente. Razoáveis.

Coraline é encantador. Uma ótima fábula sobre uma garota que está muito entediada na sua nova casa até que se depara com uma porta secreta que a conduz para uma versão alternativa da sua própria vida, perfeitamente melhorada. No entanto, um certo dia esse mundo perfeito fica perigoso (pois tem um preço) e aí pode ser tarde demais.

No filme tudo é muito mágico, cuidadosamente lapidado para envolver o espectador num mundo fantástico e até mesmo aterrorizante e sombrio. Apesar de seu conteúdo assustador (a ponto de eu duvidar que é um filme de animação feito também para crianças), somos levados o tempo todo a um mundo de sonhos e de fantasia, amenizando, assim, qualquer cena mais chocante.

O visual é excelente, de estética primorosa, tanto dos riquíssimos cenários quanto dos personagens. O roteiro também é de primeira, recheado de elementos sedutores em toda a narrativa. Merece ser conferido.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscar 2009 - dentro do previsto



De todas as cerimônias de entrega do Oscar, essa foi a que mais gostei exatamente pelas inovações. Uma das melhores surpresas foi Hugh Jackman, um verdadeiro (e inesperado) showman. Além de dar uma certa leveza, com seu ótimo humor e irreverência, cantou e dançou muito bem. Também achei muito bacana a apresentação dos indicados nas categorias de ator e atriz (principais e coadjuvantes), contando com a presença de antigos ganhadores juntos nos palco e cada um deles elogiando cada indicado antes da revelação.

Como era de se esperar Quem Quer Ser Um Milionário? foi o filme que mais levou (oito premiações). Dentro das minhas preferências e palpites acertei alguns:

Melhor atriz: Kate Winslet, por O Leitor. Acertei, preferência e palpite. Mesmo não tendo visto as atuações das outras indicadas, vibrei muito, pois há muito tempo achava que ela merecia, por diversos filmes.

Melhor ator: deu Sean Penn, por Milk. Arrisquei na preferência por Rourke, mas meu palpite era que a Academia daria a estatueta para Penn. Acertei no palpite pelo menos.

Melhor atriz coadjuvante: ganhou Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen). Preferi Marisa Tomei, mas achava que daria Viola Davis por Dúvida. Errei tudo.

Melhor ator coadjuvante: Heath Ledger, em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Acertei os dois. Parecia impossível a Academia não fazer essa homenagem. Mesmo sem a homenagem póstuma, mesmo se estivesse vivo, era bem capaz de ganhar por sua ótima atuação.

Melhor filme e diretor: foi Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle . Também errei na preferência, mas sem assistir ao grande favorito isso era passível de acontecer (ainda não fui na pré-estreia). Acertei nos palpites.

Roteiro original: Milk. Acertei tudo.

Roteiro Adaptado: acertei no palpite: Quem Quer Ser Um Milionário?

Longa de animação: Wall-E - óbvio demais.

Fotografia: a noite era indiana mesmo! Palpitei certo. Mas preferi Batman.

Montagem: outra vez o filme de Danny Boyle. Se eu tivesse visto, talvez acertasse ao menos no palpite.

Maquiagem: tava fácil: O Curioso Caso de Benjamin Button.

Efeitos visuais: outra vez Benjamin Button. Nesse errei feio, afinal as trucagens foram bem mais complexas, era óbvio! Sei lá por que pensei em Homem de Ferro como palpite. [dããrnn...]

Trilha: mais uma estatueta para Quem Quer Ser Um Milionário? Palpitei certo. Mas minha torcida estava para Milk.

Montagem sonora: acertei no palpite: Batman. Minha preferência era pelo O Procurado, por estar repleto de surpresas sonoras.

Figurino: mais um acerto no palpite. Acompanhar os favoritos pela imprensa tem suas vantagens! Foi para A Duquesa. Mas Milk, minha preferência, é de ser tirar o chapéu.

Canção: outro palpite certeiro: Quem Quer Ser Um Milionário? Minha preferência, do filme Wall-E, estava ali, bem juntinha, a canção é muito bela e emocionante.

Muitos filmes interessantes e atores de que tiveram ótimas atuações ficaram de fora. Aliás, essa coisa de melhor atuação é uma coisa contraditória. O mais importante de tudo é que nós, apreciadores do cinema, saímos ganhando. Mesmo após ver um filme ruim, daqueles que até causa um certo arrependimento, a probabilidade de ver algo bom, realmente interessante, é grande. 2008 pode não ter sido um ano de filmes memoráveis e fantásticos, mas pela boa parcela até que foi considerável. Só lamentei não ver Batman - O Cavaleiro da Trevas competindo por melhor filme. Para mim foi o ano do melhor filme do Batman. E acima de tudo: o melhor Coringa.

Agora que venham algumas promessas de sucesso nas telonas: Watchmen (um dos melhores quadrinhos, a obra-prima de de Alan Moore); Star Trek em sua versão clássica atualizada (uebaaa!); Wolverine; Superman: o Homem de Aço; Avatar; O Exterminador do Futuro: A Salvação (com Christian Bale no papel de John Connor);Up (outra produção power da Pixar); GI Joe; A Era do Gelo 3; Anjos & Demônios (Tom Hanks interpretando novamente Robert Langdon de O Código Da Vinci); Sherlock Holmes (com Robert Downwy Jr); Public Enemies (com Bale e Johnny Depp); os filmes com Mel Gibson, Robert De Niro, Matt Damon (em The Informant, de Steven Sodenbergh e em Green Zone, de Paul Greengrass), Keira Knightley (em Last Nigth, um drama comovente); os filmes de Peter Jackson, Quentin Tarantino, Clint Eastwood (que está nos devendo...), Fernando Meireles (também torço para que o cinema nacional dê uma alavancada) e muitos outros.

A lista das novidades é enorme. Muita coisa boa vem por aí. Arrumei pra cabeça: vou ter que reservar uma graninha a mais para poder ver uma boa parcela disso tudo...


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Meus preferidos e palpites do Oscar 2009



Daqui a pouco começa o Oscar 2009 e como bom cinéfilo não posso deixar de acompanhar. Sei que a premiação peca pela injustiça em alguns casos todos os anos, mas mesmo assim é gostoso torcer ou ficar na expectativa de quem vai levar uma estatueta para casa. Todos os anos procuro ver o máximo de filmes indicados para torcer, mais por coerência conforme meu julgamento do que por preferir um ou outro indicado.

Esse ano foi um pouco complicado, não consegui ver muita coisa antes da premiação e ainda teve aqueles que foram indicados depois que o filme não estava mais em cartaz. Por isso que hoje mesmo assisti dois filmes em seqüência, que outro dia vou comentar. Seguem os meus preferidos e, no fim de cada categoria, os meus palpites de quem deve ser premiado por tudo que ouvi por aí:

Melhor atriz: Kate Winslet, por O Leitor. Não vi os filmes das outras indicadas. Acho que ela leva.

Melhor ator: Mickey Rourke, por O Lutador. Vi hoje e fiquei na dúvida, pois Sean Penn (outro que vi hoje!) também está ótimo em Milk – A Voz da Igualdade. Estou quase considerando um empate técnico entre os dois... Dos outros indicados só vi o filme de Brad Pitt, O Curioso Caso de Benjamin Button. Também está convincente, mas prefiro os outros. Penn deve levar.

Melhor atriz coadjuvante: Só vi Marisa Tomei em O Lutador, mas não dá pra ter torcida nesse caso. Mas estou apostando em Viola Davis (Dúvida) por tudo que ouvi falar.

Melhor ator coadjuvante: Heath Ledger, em Batman - O Cavaleiro das Trevas, é o meu preferido disparado. Também vi Josh Brolin em Milk - A Voz da Igualdade, mas para mim ele não tem chance comparando com Ledger. O melhor Coringa deve ganhar esse Oscar póstumo.

Melhor diretor: David Fincher, por O Curioso Caso de Benjamin Button, apesar de achar que tanto Stephen Daldry por O Leitor e Gus Van Sant por Milk também mereçam, mas tinha que optar por um e considerei um detalhe ou outro. Preferia assistir mais de uma vez cada um pra ter uma opinião melhor. Dizem que quem deve levar é Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? (outro que não consegui ver ainda), e não duvido que ele leve a estatueta.

Melhor filme: Milk - A Voz da Igualdade, por uma diferença mínima, pois também gostei muito de O Leitor e de O Curioso Caso de Benjamin Button. Se um desses levar ficarei contente. Parece que quem deve levar é Quem Quer Ser Um Milionário?

Roteiro Original: Milk. Dos outros indicados só vi Wall-E - gostei muito do roteiro, até daria pra ficar empatado. É bem capaz de Milk ganhar.

Roteiro Adaptado: O Leitor, apesar de considerar que O Curioso Caso de Benjamin Button também possua um roteiro genial. No entanto, Quem Quer Ser Um Milionário? deve levar esse.

Melhor longa de animação: Wall-E, disparado! O outro que vi foi Kung Fu Panda, bem legal, mas sem chance. E duvido que Bolt - Supercão vença. Wall-E deve ganhar.

Fotografia: Para mim Batman deveria levar. Dos concorrentes vi O Curioso Caso de Benjamin Button e O Leitor (este ficaria em terceiro lugar). Os comentários são grandes mais uma vez para Quem Quer Ser Um Milionário?

Montagem: Batman de novo. Dos demais vi apenas Milk e O Curioso Caso de Benjamin Button. Acho que Batman leva.

Maquiagem: O Curioso Caso de Benjamin Button. Muito melhor que Batman, apesar da fantasmagórica cara do Coringa. O outro concorrente é HellBoy - O Exército Dourado que eu não assisti. Pelo jeito, Benjamin Button leva.

Efeitos visuais: Homem de Ferro, e olha que Batman não fica muito atrás. Deve ficar com Homem de Ferro.

Trilha: Milk é muito bom. Para mim fica na frente de O Curioso Caso de Benjamin Button. Também gostei de Wall-E. Mas pelo jeito dos boatos quem deve levar é Quem Quer Ser Um Milionário? (nesa altura já estou arrependido de ainda não ter visto! aaaargh!!)

Montagem sonora: Fico com O Procurado. Mas é capaz de dar Batman.

Figurino: Milk de novo. Na minha opinião bem melhor que O Curioso Caso de Benjamin Button. Por aí falam muito de A Duquesa - capaz de levar.

Canção: "Down to Earth", de Wall-E. Demais! Mas tem um páreo duro, pois Quem Quer Ser Um Milionário? tem duas canções competindo.

É isso. Espero acertar mais do que tenho acertado ultimamente...