Para alegria de fãs como eu,
Susanne Sundfør foi convidada pra cantar a música tema do filme Oblivion. E ela arrebentou mais uma vez.
Dona de um vocal espetacular e esplêndido essa cantora norueguesa comprova que
qualquer projeto que a envolva é garantia de sucesso. Principalmente quando se
junta a produtores de peso como o M83.
A música, que também se chama Oblivion, que no filme só toca durante
os créditos finais, é de uma melodia rebuscada e arrebatadora. Susanne solta a voz
em grande estilo, entregando-se aos versos com muito sentimento, de forma incondicionalmente
tocante, empregando um toque mágico - é de arrepiar. Sua flexibilidade vocal
permite um desempenho inebriante. Não é à toa que esta música, assim como
muitas outras de suas canções, faz parte da minha trilha sonora. Essa música é
absolutamente brilhante, imponente e deslumbrante. Duvida? Então confira.
Aqui, a versão original com
cenas do filme. E aqui você confere a letra
(com tradução).
Eu acho que já vi e ouvi algo
parecido por aí que foi lançado bem antes (Brave, da Sara Bareilles), mas não
tira o mérito da canção e do clipe Roar
da ótima Katy Perry. Tá bom, eu confesso, sou fã dela, e sabe como é ser fã...
Apesar de que quase fiquei desapontado e a comparação me deixou desconfortável. Mas superei. Fácil.
As duas músicas são daquelas
que ficam grudadas na cabeça, mas e daí? Bora curtir, pô!
Como sou fã da Sara também,
botei logo as duas de uma vez. E pra você fazer a comparação também. Lógico.
Eles
estavam certos quando disseram que nunca devemos conhecer nossos heróis.
*
A batida rítmica e a sonoridade
vibrante presente o tempo todo, mais a cativante voz de Emily Haines que
penetra fundo na alma, faz com que Breathing
Underwater, da banda Metric, contagie com uma alegria que pega de jeito e
só dá vontade de dançar ou ficar mexendo a cabeça como se fosse um maluco. Bom,
pelo menos deve ser isso que pensam de mim quando ouço essa música, em qualquer
lugar que eu esteja.
É impressionante como tem
música que me faz lembrar coisas boas lá da minha adolescência. E a Frou-Frou Foxes in Midsummer Fires da banda Cocteau Twins além de me levar de volta para a adolescência, também faz com que eu sinta muita paz e
tranquilidade. Algo que eu nem imaginava querer naquela época; mais ou menos como: "eu era feliz e não sabia". Só que ao mesmo tempo me sinto como que transportado para um futuro que não parece inatingível, impossível, mas totalmente envolto em serenidade, como se nada fosse possível me perturbar. Na verdade, é um
sentimento estranho. Quase dolorido. Quase triste. Mas que ao mesmo tempo me
deixa alegre. Sem motivo. Sem causa. Sem querer. Sem desejar, mas desejando ao
mesmo tempo.
São essas sensações estranhas e
ao mesmo tempo deliciosas que eu sinto todas as vezes que a ouço num momento de
sossego. E é dessa forma que me sinto totalmente absorto. Como que num momento
de meditação, de concentração.
E assim vou eu, flutuando em
sua melodia glacial, em sua sonoridade etérea, totalmente embalado pela voz
angelical, além de totalmente hipnótica e encantadora da vocalista Elizabeth
Fraser. A voz dela é simplesmente incrível. Uma das melhores vozes do mundo.
Sem exagero. Algumas pessoas descrevem sua voz como "cintilante" - e
não tem como discordar disso.
A banda escocesa Cocteau Twins
possui em seu estilo algo bastante diferente, um potencial muito exótico. Suas
músicas, repletas de acordes de guitarra e baixo penetrantes e irrequietos,
sempre me fazem pensar em paisagens deslumbrantes, em algo mais etéreo, como a
aurora boreal, por exemplo. Ou em seres aquáticos que nem parecem que estão no
mar, parecem levitar em perfeita harmonia com a leveza e a beleza da natureza.
Exatamente como no vídeo abaixo. Imagens perfeitas para a canção.
Márcio Luiz Soares
***
Abaixo, um cover desta canção
soberba. Esta é uma das mais belas interpretações de piano de uma das canções
mais lindas que eu já ouvi. A ausência de imagens no vídeo é proposital: feche os olhos e viaje.
Todo mundo tem seus segredos e todos
têm um lado dentro de si que protegem a todo custo. É instintivo.
Por mais bem certinha que uma
pessoa demonstra ser, ela tem algo a esconder, mesmo que seja aquele segredinho
que nem é nada demais, nada que a desabone, mas que ela prefere que fique
enterrado dentro de si. Pode ser um pensamento nefasto, ou um desejo reprimido,
ou uma fantasia sexual que sabe que nunca vai se realizar. Acho que, no fundo,
no fundo, todos nós temos uma natureza pecaminosa ou egoísta. Nenhum de nós
está livre de pecados e pensamentos obscuros. Nós nascemos assim. A diferença
está em como cada indivíduo consegue se controlar. Muitos não conseguem. Muitos
nem tentam. Outros nem têm noção do que é ou não sombrio.
Eu tenho um lado sombrio, não
nego e não me importo em admitir. Até onde isso me prejudica? Até agora, em
nada. Nunca me prejudicou. Nunca prejudicou ninguém.
E pra piorar o que você está
pensando de mim nesse momento, saiba que eu gosto de alimentar esse meu lado
sombrio. E tudo se resume ao fato de que, alimentando-o, consigo superar coisas
excessivamente emotivas que me tornariam melancólico demais. Principalmente
quando as minhas válvulas de escape não funcionam.
Enfim, na minha humilde
opinião, todo mundo tem um esqueleto escondido no armário. Alguns esqueletos
contam uma boa história ao sair.
Outros nem tanto.
Márcio Luiz Soares
***
No clipe, uma das minhas músicas
preferidas da Kelly Clarkson, Dark Side.
O que se vê nas imagens do clipe não condiz tão incisivamente com a letra dessa bela canção. Infelizmente. Mas tá valendo.
Essa versão da Hide U, com a banda britânica Kosheen,
além de ser uma drum and bass que me
alucina, ela tem um clima sombrio que me pegou de jeito! Sem falar de todas as suas derivações que me fazem ficar horas ouvindo uma atrás da outra - não paro nem
pra comer! =)
Phil Collins dispensa
comentários pra quem curtiu as suas músicas há algumas décadas e com certeza
curte até hoje. Depois de sua passagem inicial como vocalista do Genesis, ele
surpreendeu as ondas de rádio com diversas músicas, mas destaco aqui a ótima In the Air Tonight.
Dá gosto ouvir a batida dos
tambores de uma forma que ainda não tinha sido feito antes, complementados por
grooves contagiantes e seu impressionante alcance vocal. Seu modo de tocar,
embora de forma única, sem dúvida, foi um pouco ofuscada pela engenharia de
estúdio e mixagem final, mas isso logo seria corrigido em suas apresentações ao
vivo. Sempre fascinante! Um baterista de rock muito talentoso. Dá gosto vê-lo cantar e lembrar de sua marca na música pop com suas batidas de bateria notáveis.
Veja uma das melhores
apresentações de In the Air Tonight ao
vivo.
Aqui você pega a letra com
tradução e veja aqui o clipe oficial.
Nem sempre a letra de uma
música bate com as imagens de um clipe e taí uma coisa que nem importa muito.
No caso do clipe da excelente The Fall [A Queda], da dupla Rhye, o que vemos no vídeo está mais pra uma meditação
existencial sobre a idade adulta depois que se passou dos 40 anos, e quanto a falta de inocência e o aumento do
desejo, de forma um tanto quanto deprimente, absorve a maturidade que levou um
tempão pra se construir.
A música, além de muito
deliciosa, com vocais precisos que é ao mesmo tempo quente e alegre, é
satisfatoriamente melancólica. Consegue entender isso?
Impossível não se deixar
envolver com a sua letra que estabelece uma trama de versos apaixonados,
confessionais e que por si só já são levemente dançantes. Compondo, assim, uma
perfeita trilha sonora de coisas que raramente são ditas. A música, uma
mistura de canção de amor com canção de desgosto, vai se desmanchando suavemente nos
ouvidos, pois é cheia de alma, e aos poucos vai deixando a gente extasiado,
graças a uma batida leve e envolvente.
E o que vemos no clipe, de
maneira não muito distinta, é o quanto a vida pode parecer que é uma merda e que, quando a
gente se depara com a perda da doce juventude, tudo parece muito frustrante. E
isso pode ser extremamente... comovente!
Depois que o clipe acaba, muito
marmanjo vai ficar se perguntando: "o que realmente significa essa coisa
de ser adulto, responsável e maduro, hein?" Não fique muito alegrinho não,
cara pessoinha jovem! Você está envelhecendo a cada segundo e um dia vai se ver
na mesma situação. =)
Então, de olho nas imagens e
aumenta o volume pra curtir essa dupla que eu considero que vai ser uma grande
aposta para 2013. Se gostar dessa, vai ser impossível não pedir mais. E aqui vai
ter.
Márcio Luiz Soares
* * *
***
Para aqueles que quiserem ouvir
uma versão mais dançante, eis aqui uma acrescida com o vibrante swing dos
anos 70:
Nesse comecinho de semana, deu
vontade de ouvir uma musiquinha dançante, contagiante, bem descompromissada de tudo, exceto com a alegria, assim como a
S.O.S., do Ian Carey. Eu estava mesmo precisando de algo assim, bem up.
Seja qual for o tipo da música,
sempre vai ter uma que atende ao nosso pedido de socorro. Mesmo quando deixa a
gente mais triste ou com mais saudade de alguém.
Sinto uma aura de anos 80 quando
ouço Somebody That I Used To Know, do
Gotye. Na atraente e intrigante abertura principalmente. O uso das vozes
masculinas e femininas descrevendo uma relação que não deu certo
lembra muito uma música do Human League, "Don't
You Want Me" [que você pode conhecer ou lembrar vendo o clipe aqui]. Depois, há o
timbre da voz-sósia de Sting no refrão. Sério, quando ouvi pela primeira vez,
achei que era uma música nova do Sting. O ponto alto desta música é a
intimidade desta gravação que a torna fascinante, especial, elegante e que nos
conquista de imediato, seja pela sonoridade, pela letra convincente e pelos
vocais emocionais.
Quando o cantor diz "Alguém
que eu costumava conhecer", expressa uma ironia muito refinada. A letra toda, expondo simplesmente um
relacionamento que teve um triste fim, estabelece a dor nua no final infeliz de
um casal, mas mostra de forma impecável uma enorme realidade constante nas
vidas das pessoas, levantando mais perguntas sobre os protagonistas do que
respostas. Então ouvimos o lado feminino da história, elevando a música ao
brilho.
A maioria de nós também pode
relacionar com a dor torturante de alguém importante tornando-se, simplesmente,
"alguém que eu costumava conhecer".
A canção até pode não ser
chamativa, mas é instantaneamente memorável e está destinada a ser um clássico.
Esta será uma das músicas do ano para 2012. *
Abaixo, dois clipes. O primeiro é
sensacional e o outro é uma versão de estúdio que exala tanto a simpatia dos envolvidos que vale a pena ver.
A voz de Yoav e a entonação que
ele consegue imprimir conforme movimenta as cordas da sua guitarra acústica é
de uma sintonia assombrosa, além de ser capaz de provocar uma distintividade extraordinária, diria que
até hipnótica! O cara felizmente está cimentando um novo conceito neste mercado
tão disputado, e os DJ's de plantão estão fazendo a festa.
Ele tem um jeito elegante de
cantar que rapidamente nos envolve e de repente a gente se vê dançando ou
mexendo alguma parte do corpo. Isso se conseguir não mexer o corpo
todo!
É ouvir, absorver, viajar e
sumir por uns minutos. Se é que me entende.
Se desejar ouvir uma versão mais
dançante da Beautiful Lie (clipe oficial abaixo), clica aqui. Como de costume, a letra e a tradução estão aqui.
Se quiser te
mando outras versões em áudio. É só pedir. Aproveita que eu tô bonzinho.
Que tal começar o ano
balançando o esqueleto com uma música sensacional?
O clipe abaixo é uma das
melhores versões da ótima Moves Like Jagger (do Maroon 5 com a Christina
Aguilera), bem interpretada por Jason Chen & Tiffany Alvord.
O clipe oficial do Maroon 5,
com letra e tradução, você vê aqui.
* * *
Que 2012 seja cheio de
surpresas agradáveis. As desagradáveis irão aparecer, claro, são inevitáveis,
mas certamente vamos fazer de tudo para esquecer e, sempre que possível, tirar
delas um aprendizado, exatamente como nos nossos erros.
Está frio lá fora. Não me
importo. Saio. Quero ver as estrelas. Quero ser abraçado pela Lua e descansar meus
pensamentos. Sua luz reconfortante tornaria tudo mais suave. Mas ela não
consegue vencer a batalha contra as nuvens. Resta-me sua energia.
Como forte aliadas tenho as
músicas que jorram pelo fone de ouvido. As notas penetram implacavelmente.
Embarco numa viagem de alegria, dor e saudade que se misturam resultando num
sentimento de enorme satisfação por eu ter feito parte de um momento especial.
Por ter feito a minha parte.
Os momentos nunca mais
voltarão. Mas estão eternizados dentro de mim. Basta uma fotografia, ou um
encontro casual, uma conversa, ou, simplesmente, uma música para apertar o botão
certo.
Simplesmente?
Não, não tem nada de simples nisso.
Como pode haver simplicidade com tanta emoção sendo despertada? Essa chuva
torrencial de imagens rapidamente enche um balde feito de lamentação. E ao
transbordar, as imagens se transformam em sentimentos escondidos. Outrora esquecidos
pelo tempo. Adormecidos.
Até breve, encantadora Lua. Até
logo, músicas do passado.
Olá, meu querido travesseiro,
companheiro de muitas madrugadas de solidão e tristeza. Lenço vencido. Eis-me aqui.
Como antes. Como sempre.
Será assim até o fim. Sim, até
o fim.
Márcio Sclinder
* * *
O "botão certo" pode ter sido
acionado com a música do clipe abaixo.