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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Parte da trilha




Nem sempre a letra de uma música bate com as imagens de um clipe e taí uma coisa que nem importa muito. No caso do clipe da excelente The Fall [A Queda], da dupla Rhye, o que vemos no vídeo está mais pra uma meditação existencial sobre a idade adulta depois que se passou dos 40 anos, e quanto a falta de inocência e o aumento do desejo, de forma um tanto quanto deprimente, absorve a maturidade que levou um tempão pra se construir.

A música, além de muito deliciosa, com vocais precisos que é ao mesmo tempo quente e alegre, é satisfatoriamente melancólica. Consegue entender isso?

Impossível não se deixar envolver com a sua letra que estabelece uma trama de versos apaixonados, confessionais e que por si só já são levemente dançantes. Compondo, assim, uma perfeita trilha sonora de coisas que raramente são ditas. A música, uma mistura de canção de amor com canção de desgosto, vai se desmanchando suavemente nos ouvidos, pois é cheia de alma, e aos poucos vai deixando a gente extasiado, graças a uma batida leve e envolvente.

E o que vemos no clipe, de maneira não muito distinta, é o quanto a vida pode parecer que é uma merda e que, quando a gente se depara com a perda da doce juventude, tudo parece muito frustrante. E isso pode ser extremamente...  comovente!

Depois que o clipe acaba, muito marmanjo vai ficar se perguntando: "o que realmente significa essa coisa de ser adulto, responsável e maduro, hein?" Não fique muito alegrinho não, cara pessoinha jovem! Você está envelhecendo a cada segundo e um dia vai se ver na mesma situação. =)

Então, de olho nas imagens e aumenta o volume pra curtir essa dupla que eu considero que vai ser uma grande aposta para 2013. Se gostar dessa, vai ser impossível não pedir mais. E aqui vai ter.


Márcio Luiz Soares

* * *



***
Para aqueles que quiserem ouvir uma versão mais dançante, eis aqui uma acrescida com o vibrante swing dos anos 70:

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The Fall

Oooh, make love to me
One more time
Before you go away
Why can’t you stay?

Oooh, my love
Come home to me
Just for a while
I’ll leave this place
Why can’t you stay?

Don’t run away
Don’t slip away my dear
Don’t run away
Don’t slip away my dear
Don’t run away

The song is gone
Fell into the fall
But I don’t want it this way
Why can’t you stay?

Don’t run away
Don’t slip away my dear
Don’t run away
Don’t slip away my dear
Don’t run away

Ohh ohh

That should be worse
That should be worse that explain away
But I’ll talk time and twisted

Don’t run away
Don’t slip away my dear

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

The Lighthouse




The Lighthouse, de Po Chou Chi.
Confira por que essa bela animação ganhou 27 prêmios internacionais.



Falar dessa animação é tarefa difícil, quase banal. Talvez por isso Po Chou Chi, o jovem diretor, natural de Taiwan, radicado em Los Angeles, não usou nenhuma palavra em The Lighthouse (O Farol).

Cheio de sutilezas e simbolismos, o filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, do crescimento, de amor e respeito. Mostra, em pouco mais de 7 minutos, o crescimento, o aprendizado, a partida, o retorno e o envelhecimento. E o fim, que é também começo.

O Farol é a casa, o lar, o porto seguro, o sinalizador de que está tudo certo, o abraço do pai. Os barcos a um só tempo simbolizam as conquistas, mas também as indas e vindas. Cartas são escritas, o pai espera, as estações mudam, e o inverno chega.

Tudo embalado, como a cereja do bolo, pelo delicado piano de Chien Yu Huang.

O Farol, como não podia deixar de ser, foi dedicado aos pais de Po Chou Chi.

Rita de Sousa
(Coluna do Ricardo Setti - Veja.com, 12/8/2012)

domingo, 27 de maio de 2012

As três peneiras




Certa feita, um homem esbaforido, achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular.
- Espera! - ajuntou o sábio prudente. - Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
-Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.
- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza quanto àquilo que pretendes comunicar?
- Bem - ponderou o interlocutor - assegurar mesmo, não posso.  Mas ouvi dizer e… então…
- Exato. Decerto peineiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou:
- Isso não!… Muito pelo contrário…
- Ah! – tornou o sábio – Então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade. E notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil? – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é…
- Bem – rematou o filósofo num sorriso - se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós.

* * *
E você? O que você conta por aí é realmente verdadeiro, bom e útil?

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Imagem: de Atila Naddeo (2007) – Blog Olhares

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O poder do assombro





“Eu deitava a cabeça no colo da menina,
E ela passava as mãos nos meus cabelos...
Era meu primeiro alumbramento!”

Manuela Bandeira – Recife


Fazendo um retrocesso em minha memória, fiquei pensando, neste início de ano, o que precisaria acontecer para que o homem contemporâneo se sentisse mais feliz e menos confuso, mais alegre e menos ansioso, mais simples e menos complicado, mais verdadeiro e menos fingidor em seus anseios, desejos, sonhos e expectativas.

Comecei a me lembrar de como sempre conseguia me deslumbrar com pequeninas coisas. Como fatos corriqueiros sempre me fizeram sentir encantamento. “Era tudo um alumbramento”, no dizer do poeta.

Percebo, então, que de um modo geral, o mundo perdeu o senso de assombro. Crescemos, foi isto? Já não perdemos o fôlego diante de um arco-íris, ou do perfume de um jasmim (alguém, porventura, ainda conhece jasmim?), como acontecia antes. Prova disso é ouvirmos as letras de música destes tempos.

Já não temos tempo de olhar para as estrelas, e duvido que algum jovem de hoje, saiba achar no céu o Cruzeiro do Sul ou as Três Marias, só para dar um exemplo. Os astros que eles reconhecem são outros.

As estrelas já não nos encantam, não mais temos tempo pra vê-las, nem, tampouco, formar figuras com nuvens, e além do mais, agora, já sabemos que a Lua não é feita de queijo, que pena!

As tempestades já não nos causam assombro, os aviões voam acima ou abaixo delas, e os satélites reduzem-nas a fotos. Só os desabrigados se importam e as temem! Simplesmente temos dados, temos estatísticas, temos certezas científicas, algumas nem tão boas... mas não nos assombram!

Nossa alma, parece-me, ficou vazia de significados e nosso coração falto de encantamento.

O novo nos impressiona hoje, até que algo mais novo ou sensacional surja em cima dele.
“À medida que a civilização avança o senso de assombro declina”. (Rabino Heschel).

Nosso mundo é saturado com a graça, e a presença furtiva de Deus é revelada não apenas no espírito, mas, também, na matéria. Por que nos privamos de vê-la?  

Nunca quero deixar-me cegar e não mais me encantar com as folhas secas que formam tapetes dourados, quando caem no outono, nem com o colorido que as flores dos ipês mancham o chão nas manhãs de primavera. O que dizer, então, da grama orvalhada ou de um crepúsculo dourado arrematando o dia numa tarde de verão?

Ah! As pequeninas grandes coisas que encantam a vida de quem consegue ver a graça de Deus abundando sobre nossa existência em cada detalhe...

Estamos tão fartos com a grandeza das coisas belas da natureza, que pisamos sobre flores, sobre douradas folhas secas, ouvimos os pássaros, molhamos os pés nas ondas do mar, e nem nos damos conta de que todas essas coisas são graça; esse dom, esse presente dado a nós, imerecidamente. Sim, pois se é por merecimento, deixará de ser graça.

Meu desejo é que neste início de ano, nossos corações se abram para a Graça de Deus em nossas vidas, através de Jesus Cristo e das consolações do Espírito Santo, e que a possamos desfrutar com corações agradecidos e mentes sábias, abrindo nosso espírito para o Divino espalhado em todo nosso redor, especialmente na vida das pessoas afetuosas que nos cercam. Usemos o dom maior - o amor - pois, no dizer do apóstolo Paulo: “Tudo passa, menos o amor”, a maior graça concedida pelo Pai a nós, maravilhosa graça, que jamais se afasta de nós, ainda que não correspondamos aos seus apelos.

Só o poder do assombro poderá nos salvar de vivermos vidas vazias de significados que nos devolvam o dom de ser felizes, apesar das vicissitudes, pelas quais temos de passar, pois fazem parte desse nosso viver.

Quero me assombrar de novo! Quero de novo enxergar com o coração! Quero amar a vida que mesmo que para alguns pareça sem graça, para mim é encantada, pois vem de Deus.


Ercília Pollice


sábado, 24 de dezembro de 2011

Papai Noel - the day after





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Ilustração de Ivan Jerônimo

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Aviso aos navegantes: que o seu Natal seja, ou tenha sido, cheio de paz, harmonia e de muita integração com amigos e familiares. E se não receber o presente que tanto deseja, se ganhar algo que nem sabe o que fazer com ele, não se importe, afinal alguém se preocupou contigo, se lembrou de você. Na verdade, o mais importante é a alegria e a oportunidade de poder se reunir, nesse dia tão especial, com as pessoas que tanto estimamos e amamos.

* * *
Veja o vídeo da campanha publicitária de Natal de uma rede de lojas britânica, é muito surpreendente. 


Tradução do final da campanha: "Para os presentes que você não pode esperar para dar".

sábado, 29 de outubro de 2011

Descomplique





"Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado."

Albert Einstein

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Deveríamos buscar a simplicidade sempre. Não somente caminhando na praia, andando de bicicleta sem destino, indo a qualquer lugar sem compromisso, sem pressa, numa conversa tranquila com qualquer pessoa, mas também cozinhando, trabalhando, fazendo qualquer coisa. Basta acordar, dar uma respirada profunda e considerar que o dia que se inicia, faça chuva ou faça sol, frio ou calor, é um belíssimo dia. Exatamente porque nos mostra que estamos vivos e que, apenas por isso, devemos aproveitar cada segundo. Intensamente.

Não procuro simplificar os problemas, ou fugir deles - nem dos resultados ruins. Seria querer escapar da dura realidade. E depois sofrer com isso. E nem desejo que a vida não tenha complicações, sem suas complexidades ou obter as coisas gratuitamente. Ela seria muito sem graça. Precisamos dos obstáculos, das dificuldades. Moldamos o nosso caráter e a nossa personalidade enfrentando os desafios, encarando os problemas, superando as tristezas, se conformando com as perdas, tendo desejos e ambições e diversas motivações que nos levam pra frente.

Levar uma vida simples é uma gratificante tentativa de viver mais e melhor, de forma saudável, gostosa, trabalhando com alegria, encarando tudo com tranquilidade e inteligência. Descomplicando tudo mesmo - ou o máximo que puder.

Mais que antes, ultimamente tenho buscado a simplicidade, pra tornar a vida mais leve, mais serena, com a intenção de atrair energias positivas. Tem dado certo. Mas quando não dá, lembro que amanhã é outro dia.


Márcio Luiz Soares

sábado, 28 de novembro de 2009

Abrir(-se)





"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Clarice Lispector

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Ilustração de Zoe Lilly, Blooming Joy (2009)