domingo, 24 de maio de 2015
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Morte
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Lição de humildade
segunda-feira, 11 de março de 2013
Lado sombrio
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O poder das palavras
domingo, 27 de maio de 2012
As três peneiras
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A primeira pedra
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
O poder do assombro
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Deixe para trás
Imagem de Caio Mosca Pantarotto.
[clique na imagem para ampliar]
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Aos homens do nosso tempo
sábado, 24 de dezembro de 2011
Papai Noel - the day after
sábado, 29 de outubro de 2011
Descomplique
"Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado."
sábado, 22 de outubro de 2011
Diferença
O Barbeiro
Autoria desconhecida
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Respeite a sua vida

Muitas pessoas buscam a realização profissional, a estabilidade financeira, um bom casamento, constituir uma família equilibrada, adquirir, além de uma boa casa, outros bens materiais, procuram seguir alguma religião para se sentir bem espiritualmente e tudo isso resume, direta ou indiretamente, na busca da felicidade.
Esses são ingredientes básicos e essenciais para uma vida plena e significativa. Ironicamente, nessa corrida para garantir a felicidade, mesmo que não se deem conta disso, as pessoas costumam esquecer do item mais importante para manter e garantir todas as outras coisas: a saúde. Muitos indivíduos, mergulhados numa louca ambição, acabam se afastando cada vez mais disso e quando se dão conta, pode ser tarde. A vida se tornou tão agitada e ocupada que está tendo seus efeitos sobre nossa saúde e bem-estar. Mais e mais pessoas parecem estar sofrendo de uma série de problemas relacionados com a saúde e com as tensões da vida cotidiana.
Parece ridículo, mas é bem verdadeira aquela frase que diz que "os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”. Há mais vida além das posses e realizações profissionais, a saúde e o bem-estar não são comercializados nos mercados.
É importante reconhecer que a felicidade, quando alcançada, mesmo que efêmera, colabora para preservar a boa saúde. É o que chamam de prosperidade emocional. O objetivo é descobrir o que é preciso para viver bem, ter uma vida gratificante e envelhecer de forma saudável.
Alguns fatores que predizem um envelhecimento saudável, tanto física como psicologicamente, são adquiridos de forma muito simples: uma boa educação, um bom casamento, não fumar, não abusar do álcool, praticar exercícios regularmente, manter um peso saudável e, acredite, se comportar de forma altruísta - ser voluntário em causas nobres que gratificam tanto a mente quanto o espírito. E quando estas pessoas atingem um nível estoicista, a gratificação pode ser ainda maior.
Colabora com tudo isso o poder do relacionamento, fator condicionante para uma boa vida. A aptidão social nos leva a um envelhecimento saudável e bem sucedido emocionalmente. Para muitos é o posicionamento social ou o brilhantismo intelectual, ou seja, a alimentação do ego, que provoca um tipo de bem-estar. É errado pensar assim. Nada disso terá importância quando a experiência mostrar que já se viveu o suficiente para ter uma vida plena e quando o indivíduo deixar de ter o mesmo vigor físico e emocional para enfrentar as tempestades do dia a dia. Pois coisas terríveis acontecem a todo momento e ninguém pode se sentir imune. Temos que manter aceso o senso de humor, fazer amigos, dar algo de si aos outros, se divertir e aprender coisas novas.
O efeito de felicidade, ou o bem-estar subjetivo, nos leva a uma vida mais longa, entre outros fatores. Mas como atingir esta felicidade? Em paralelo às outras necessidades básicas, devemos evitar os sentimentos negativos que mais impactam na nossa saúde mental: raiva, intolerância, ciúme e outros venenos. Quantas vezes a gente se depara com algum conhecido que sempre reclama da vida dele ou da dos outros? Não precisa se afastar de pessoas assim, mas evite dar trela a esses papinhos.
Sinto-me orgulhoso com aqueles que enfrentam os desafios da vida com um belo ou singelo sorriso estampado no rosto. Eles até podem carregar uma nuvem negra sobre suas cabeças de vez em quando, mas parecem ter a receita perfeita para fazer surgir o sol por trás da nuvem e espalhar seu brilho ao seu redor no processo de atenuar os seus próprios problemas emocionais ou físicos. São pessoas que tem um controle emocional grandioso e por meio de sua força de vontade e uma disposição invejável afastam a negatividade, espalhando alegria na vida de todos que entram em contato com elas.
Se você não é assim, não tem essa energia toda, que tal começar agora? E em todas as manhãs, ao acordar, faça uma oração matinal de agradecimento a Deus por estar vivo, peça para que te cubra o dia todo de satisfação e alegria. Ao encontrar as pessoas no seu caminho, enriqueça os olhos daqueles que receberem o teu sorriso contagiante. Claro que não é fácil viver a vida toda assim, não se pode viver eternamente num mar de rosas e viajar constantemente num céu de brigadeiro, no entanto, torna a vida mais fácil, mais suportável e cheia de otimismo.
O segredo desta receita de bem-estar é respeitar a vida com todos os seus altos e baixos, e vivê-la intensamente como se não houvesse amanhã.
Márcio Luiz Soares
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Fome ou vontade de comer?

Para muitas pessoas a comida serve para aliviar a dor emocional.
Você já ouviu aquela conhecida música dos Titãs?: “Você tem sede de quê? / Você tem fome de quê? / (...) A gente não quer só comer / A gente quer comer e quer fazer amor / A gente não quer só comer / A gente quer prazer pra aliviar a dor”. Realmente muitas vezes o que se esconde por trás de uma compulsão alimentar e de uma sensação de fome constante, não é apenas um alerta de que o nosso estômago está vazio.
Como diz a música, para a maioria das pessoas a comida serve para aliviar a dor emocional, aplacar a carência, descontar a raiva do trânsito, dos pais, do marido, da namorada e etc. Quantas vezes você já se pegou literalmente comendo os seus problemas? Daí como consequência, vêm o excesso de peso e a queda da auto-estima, que também nos leva a comer mais e entrar em um círculo vicioso de comida, problema, aumento de peso, queda de auto-estima, comida, excesso de peso, maior queda de auto-estima e assim por diante.
No fundo, não somos totalmente culpados por esses hábitos, pois quando pequenos nossas mães e tias (e aqui vai um alerta para quem tem filhos pequenos) resolviam todos os nossos problemas, medos, dores físicas e choros noturnos com um chazinho bem doce, uma sopinha, um mingau de aveia ou um pedacinho de bolo, e sem perceber nos estimulavam a associar a comida, o sabor doce e o ato de mastigar como solução às nossas carências, como forma de afeto e consolo.
Devido a esse condicionamento, para algumas pessoas é praticamente impossível cortar o doce da dieta ou não comer diante das adversidades da vida. Como forma de aliviar o vazio interno, algumas pessoas por mais que comam, ainda sentem o estômago com um buraco e não conseguem se saciar. Mas é importante você começar a diferenciar a fome da vontade de comer e identificar quando o vazio não é no estômago e sim nas emoções, e até na alma.
Tenho consciência de que essa tarefa não é fácil, principalmente com o passar dos anos e com o gradual acúmulo de mágoas e frustrações que carregamos. No entanto, há outros hábitos e técnicas mais saudáveis de compensar a sua carência, como, por exemplo, caminhadas, meditação (como forma de relaxamento), boxe (imagine como você estivesse lutando com quem te magoou), corrida (para deixar os problemas para trás) e massagem (para aliviar a carência).
Portanto, da próxima vez que você sentir vontade de atacar um pudim de madrugada, ou terminar de almoçar e ainda continuar com a sensação de estômago vazio, pergunte-se: Você tem fome de quê?
Milena Lhano
Terapeuta floral, grafóloga e iridóloga
* * *
Imagem: cena do filme Comer, rezar, amar, de Ryan Murphy.
sábado, 7 de maio de 2011
Apenas sendo humano

Por diversas vezes, durante a leitura de algum livro ou logo após terminá-lo, fico matutando sobre algumas coisas que tenha sido abordado pelo autor. Isso acontece também depois de assistir alguns filmes ou após uma conversa descontraída com amigos. E foi justamente numa conversa que tive há alguns dias com Esdras Reginato, meu colega de trabalho, que, além de me fazer refletir sobre algo que nunca tinha dado a devida atenção, me fez lembrar de um texto da Martha Medeiros, o qual disponibilizei na postagem anterior. A conversa foi sobre o filme P.S. Eu te Amo. Quando ele me contou que deixou cair algumas lágrimas assistindo ao filme junto com a sua namorada, me toquei no quanto é benéfico se deixar levar por essa emoção arrebatadora, capaz de deixar a gente bem vulnerável e que nem sempre manda recado: o choro.
Os motivos são diversos e a grande maioria vem acompanhada de grande e irremediável tristeza, angústia ou dor. E quando a dor não é física parece que nunca vai acabar.
Apesar de muitas pessoas considerarem o choro como uma emoção negativa, estas mesmas pessoas não podem negar que chorar faz bem. Os sentimentos e a intensidade da dor física ou mental que levam ao choro podem variar de pessoa para pessoa e algumas se esforçam para não deixar isso transparecer, com medo de mostrar fragilidade. Ledo engano.
É interessante como o choro também é um meio de comunicação. É a primeira emoção com que uma criança é introduzida no mundo. Os bebês, antes de falar, choram. É a única maneira de expressar que estão sentindo dor, fome, medo e até mesmo frustração. E essa forma de comunicação dura a vida toda.
Diferentes línguas podem criar obstáculos para a comunicação, mas as emoções são universais. Há também as razões culturalmente aceitáveis para chorar que unem as pessoas, tal como em funerais, em casamentos ou em tragédias. O ser humano chora ao se relacionar com qualquer outro ser. Quem já não chorou ao perder um animalzinho de estimação?
Chorar é a melhor maneira de dar vazão a todas as emoções, seja sob a forma de frustração, raiva ou felicidade. A explosão desencadeia emoções negativas e positivas. Expressando a tristeza pedimos indiretamente o apoio e conforto de nossos pares. E dificilmente não somos atendidos.
O choro também faz bem para a saúde. É considerado como a melhor maneira de reduzir e gerenciar o nível de estresse, desanuviando a tensão mental e diminuindo a pressão arterial. É melhor até para limpar os olhos. A poeira e a sujeira que se instala e fica depositado no olho é removida pela lágrima.
Chorar ajuda a esquecer e amenizar a gravidade de algum evento ruim. Colocamos pra fora os mais profundos sentimentos enraizados. As pessoas reconhecem que se sentem menos onerosas depois de chorar. Principalmente depois que transmitimos nosso amor para com as pessoas que amamos e prezamos.
Chorar faz realmente muito bem. Mesmo quando a gente se depara numa situação limite, nos derrubando, fazendo a gente perceber que estamos mergulhados num turbilhão de sentimentos que estão fragilmente encobertos pela couraça da falsa quietude. Nisso, surge a melancolia. É exatamente nestes momentos que compreendemos o que realmente acontece dentro de nós. Por isso, muitos escritores admitem que a melancolia é um gerador de inspiração.
Deixar escorrer algumas lágrimas durante um filme sentimental não significa que você é uma pessoa exageradamente sensível. Na verdade, significa que você está se comportando como um ser humano perfeitamente normal, que sabe se entregar aos seus mais profundos sentimentos. Que vive. Que é humano.
Encerro com uma frase anônima que recebi por intermédio da minha amiga Ana Luisa Pontes, ao comentar sobre este assunto, a qual sintetiza bem isso tudo: “Quem não se permite sentir a tristeza quando está triste, também não se permite ser feliz quando tem que ser”.
Márcio Luiz Soares
* * *
Imagem: Sorrow longing tears, de Westia.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Chorar faz bem

Comecei a ficar mais atenta às verdadeiras razões dos meus choros, que, aliás, costumam ser raros. Já aconteceu de eu quase chorar por ter tropeçado na rua, por uma coisa à-toa. É que, dependendo da dor que você traz dentro, dá mesmo vontade de aproveitar a ocasião para sentar no fio da calçada e chorar como se tivéssemos sofrido uma fratura exposta.
Qualquer coisa pode servir de motivo. Chorar porque fomos multados, porque a empregada não veio, porque o zíper arrebentou bem na hora de sairmos pra festa. Que festa, cara-pálida? Por dentro, estamos em pleno velório de nós mesmos, chorando nossa miséria existencial, isso sim. Não pretendo soar melodramática, mas é que tem dias em que a gente inventa de se investigar, de lembrar dos sonhos da adolescência, de questionar nossas escolhas, e descobre que muita coisa deu certo, e outras não. Resolve pesar na balança o que foi privilegiado e o que foi descartado, e sente saudades do que descartou.
Normal, normalíssimo. São aqueles momentos em que estamos nublados, um pouco mais sensíveis do que gostaríamos, constatando a passagem do tempo. Então a gente se pergunta: o que é que estou fazendo da minha vida? Vá que tudo isso passe pela sua cabeça enquanto você está trabalhando no computador. De repente, a conexão cai, e em vez de desabafar com um simples palavrão, você faz o quê? Cai no berreiro. Evidente.
Eu sorrio muito mais do que choro, razões não me faltam para ser alegre, mas chorar faz bem, dizem. Eu não gosto. Meu rosto fica inchado e o alívio prometido não vem. Em público, então, sinto a maior vergonha, é como se estivesse sendo pega em flagrante delito. O delito de estar emocionada. Mas emocionar-se não é uma felicidade? Neste admirável mundo de contradições em que a gente vive, podemos até não gostar de chorar, mas trata-se apenas da nossa humanidade se manifestando: a conexão do computador, às vezes, cai; por outro lado, a conexão conosco mesmo, às vezes, se dá.
Sendo assim, sou obrigada a reconhecer: chorar faz bem, não importa o álibi. É sempre a dor do crescimento.
Martha Medeiros
Extraído do seu livro Coisas da Vida
* * *
Imagem: I saw you cry, de alineblood [Deviantart]
domingo, 20 de março de 2011
Responsabilidade se adquire

Aprender com os erros. Isto serve para tantas coisas na vida da gente. A cada tropeço, a cada queda, a cada reconhecimento de nossos erros, vamos moldando nossa personalidade, nosso caráter, e, assim, auxiliando na construção da responsabilidade que aplicamos em diversas situações por toda a vida.
Quem não aprende com os próprios erros e não se esforça, que transfere a culpa a alguém ou a alguma coisa, comete os mesmos erros repetidamente e a possibilidade de se tornar uma pessoa fracassada, de mal com a vida, é enorme.
Responsabilidade se adquire. Não é algo a que tem direito. Se você notar que alguém hesita dar-lhe alguma responsabilidade adicional, provavelmente é porque você foi indiferente com outra responsabilidade que já tinha. Se você é do tipo de pessoa que pensa “se me derem algo para fazer que seja desafiante, levarei mais a sério”, saiba que essa é uma atitude irresponsável.
Existem pessoas que somente fazem as coisas enquanto elas são um desafio, quando é novidade e quando é divertida - e quando isso se desvanece, elas perdem o interesse. Claro que diversas atividades com o passar do tempo se tornam cansativas, rotineiras e desestimulantes, mas isso não significa que devemos executá-las de qualquer jeito, fazendo por fazer, dando a entender que aquilo é inútil, quando na verdade devemos considerar que é por meio delas que pagamos nossas contas.
Em qualquer situação, sempre existem alguns fatores que não podemos controlar. As pessoas irresponsáveis tendem a transferir a culpa para esses fatores, e acabam acreditando piamente que o problema não é delas. Quando fazem uma desculpa, quando dizem "eu não sou responsável por isso por que...", o que estão realmente dizendo é: "Eu não sou responsável."
Preste atenção em como você pensa e fala - você se encontra fazendo desculpas? As desculpas surgem de diversas formas e o mais comum é: "Eu ia fazer, mas...". Ah, esse “mas”!
Volta e meia me deparo com pessoas que se dizem vítimas das circunstâncias. Ninguém tem o controle absoluto sobre tudo, mas se alguém está sendo forçado a fazer algo contra sua vontade, deve raciocinar que, mesmo assim, ainda tem uma chance de influenciar o resultado. Muitas pessoas que não assumem a responsabilidade por suas atitudes se veem como pessoas indefesas e seus próprios esforços como futilidades.
Assumir a responsabilidade por algo que você vai levar a culpa, se ele não funcionar, é uma atitude coerente que denota que você sabe superar seus fracassos e que aprende com eles. Em outras palavras, não é o fim do mundo se você errar! Reconheça o seu papel. Não tenha vergonha de admitir seus erros e demonstre o quanto se esforça em deixar de cometê-los. Não só irá reforçar o seu próprio senso de responsabilidade, como também vai ganhar o devido respeito.
Outra coisa que devemos considerar como importante dentro da esfera da responsabilidade, conforme diz o ditado, é: não morda mais do que você pode mastigar. Não assuma compromissos que você provavelmente não poderá cumprir. Às vezes, dizer "não" é a coisa mais responsável a fazer.
Perda de confiança e falta de motivação, ao longo do caminho, é totalmente natural e certamente você encontrará uma maneira de superar esses incômodos. Tenha em mente que o importante é o que você recebe de volta.
Márcio Luiz Soares
domingo, 22 de novembro de 2009
Planos
Vários dos planos que fiz da minha vida para este ano deram errado. O pior é que fiz poucos planos! Isso é normal, dependendo de certos parâmetros estabelecidos, sempre existe a possibilidade de algo dar errado e seria surpreendente se tudo desse certo. E nem é preciso lembrar de Murphy. Quando quebrei o pé e tive que ficar em casa me recuperando, vi escorrer pelo ralo do inconformismo, a cada semana, a cada dia, a cada hora [oh, Deus!], muita coisa que havia planejado para este ano. Inclusive do próximo ano – o que me deixou mais estressado.
Como o ano ainda não terminou, vou me esforçar e torcer para que alguns daqueles planos dêem certo. Sou otimista por natureza, não costumo pintar um quadro desesperador, mas quando vejo que muitas coisas fogem do meu controle, começo a vislumbrar o pior. Dura pouco. Porém, nem deveria acontecer. O que me consola é que tudo não passa de uma reação natural do ser humano. A gente se arma perante os acidentes de percurso e nem sempre consegue apenas se lamentar, sem esbravejar, sem xingar o mundo todo. No entanto, é exatamente no momento de extremo pessimismo, quando me vejo mergulhado num lago de desesperança, acuado, que vejo a bóia da realidade na superfície e a agarro me fazendo acreditar que nem tudo está perdido. Ainda bem. Só que nessa altura do campeonato, a gastrite já tomou conta do pedaço!
De qualquer forma, com o tempo me recupero bem e chuto o balde. Neste ponto, paro de planejar os meus passos (ou a grande maioria deles), deixo que muita coisa aconteça e no final acabo vendo que foi a escolha certa.
O estranho de tudo isso é o fato de tornar a acontecer ano a ano, se repetindo e parece que nunca aprendo. Faço planos, alguns não dão certo, nem me importo tanto; outros não dão certos também, mas me estresso pacas, me aborreço, fico mal, para depois apertar o botão do “nem te ligo” e o resultado final acaba sendo positivo. O ano rendeu. Apesar das perdas.
Respeito muito o Senhor Destino, mas sou daqueles que acreditam que somos nós que temos as rédeas, que optamos por um ou outro caminho e, inclusive, por deixar a coisa rolar livremente. E por decidir deixar as coisas acontecerem, mesmo ficando na mão do destino, é que vejo o quanto a vida pode preparar algumas boas surpresas. Contando com uma ajudinha da sorte, habitando em algum canto junto com as chances e os planos, e me confortando em saber que não posso saber de tudo.
Assim, vou escrevendo o roteiro da minha vida, sem saber qual será o final. Apenas que terá um fim.
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