Eles
estavam certos quando disseram que nunca devemos conhecer nossos heróis.
*
A batida rítmica e a sonoridade
vibrante presente o tempo todo, mais a cativante voz de Emily Haines que
penetra fundo na alma, faz com que Breathing
Underwater, da banda Metric, contagie com uma alegria que pega de jeito e
só dá vontade de dançar ou ficar mexendo a cabeça como se fosse um maluco. Bom,
pelo menos deve ser isso que pensam de mim quando ouço essa música, em qualquer
lugar que eu esteja.
Um visitante inesperado
interrompe um velho monge que, a partir dessa interrupção, é levado a uma
rápida e significativa jornada que o fará descobrir o sentido do companheirismo
e da tolerância.
A percepção de que se está no
caminho errado é uma grande lição de humildade.
É impressionante como tem
música que me faz lembrar coisas boas lá da minha adolescência. E a Frou-Frou Foxes in Midsummer Fires da banda Cocteau Twins além de me levar de volta para a adolescência, também faz com que eu sinta muita paz e
tranquilidade. Algo que eu nem imaginava querer naquela época; mais ou menos como: "eu era feliz e não sabia". Só que ao mesmo tempo me sinto como que transportado para um futuro que não parece inatingível, impossível, mas totalmente envolto em serenidade, como se nada fosse possível me perturbar. Na verdade, é um
sentimento estranho. Quase dolorido. Quase triste. Mas que ao mesmo tempo me
deixa alegre. Sem motivo. Sem causa. Sem querer. Sem desejar, mas desejando ao
mesmo tempo.
São essas sensações estranhas e
ao mesmo tempo deliciosas que eu sinto todas as vezes que a ouço num momento de
sossego. E é dessa forma que me sinto totalmente absorto. Como que num momento
de meditação, de concentração.
E assim vou eu, flutuando em
sua melodia glacial, em sua sonoridade etérea, totalmente embalado pela voz
angelical, além de totalmente hipnótica e encantadora da vocalista Elizabeth
Fraser. A voz dela é simplesmente incrível. Uma das melhores vozes do mundo.
Sem exagero. Algumas pessoas descrevem sua voz como "cintilante" - e
não tem como discordar disso.
A banda escocesa Cocteau Twins
possui em seu estilo algo bastante diferente, um potencial muito exótico. Suas
músicas, repletas de acordes de guitarra e baixo penetrantes e irrequietos,
sempre me fazem pensar em paisagens deslumbrantes, em algo mais etéreo, como a
aurora boreal, por exemplo. Ou em seres aquáticos que nem parecem que estão no
mar, parecem levitar em perfeita harmonia com a leveza e a beleza da natureza.
Exatamente como no vídeo abaixo. Imagens perfeitas para a canção.
Márcio Luiz Soares
***
Abaixo, um cover desta canção
soberba. Esta é uma das mais belas interpretações de piano de uma das canções
mais lindas que eu já ouvi. A ausência de imagens no vídeo é proposital: feche os olhos e viaje.
Todo mundo tem seus segredos e todos
têm um lado dentro de si que protegem a todo custo. É instintivo.
Por mais bem certinha que uma
pessoa demonstra ser, ela tem algo a esconder, mesmo que seja aquele segredinho
que nem é nada demais, nada que a desabone, mas que ela prefere que fique
enterrado dentro de si. Pode ser um pensamento nefasto, ou um desejo reprimido,
ou uma fantasia sexual que sabe que nunca vai se realizar. Acho que, no fundo,
no fundo, todos nós temos uma natureza pecaminosa ou egoísta. Nenhum de nós
está livre de pecados e pensamentos obscuros. Nós nascemos assim. A diferença
está em como cada indivíduo consegue se controlar. Muitos não conseguem. Muitos
nem tentam. Outros nem têm noção do que é ou não sombrio.
Eu tenho um lado sombrio, não
nego e não me importo em admitir. Até onde isso me prejudica? Até agora, em
nada. Nunca me prejudicou. Nunca prejudicou ninguém.
E pra piorar o que você está
pensando de mim nesse momento, saiba que eu gosto de alimentar esse meu lado
sombrio. E tudo se resume ao fato de que, alimentando-o, consigo superar coisas
excessivamente emotivas que me tornariam melancólico demais. Principalmente
quando as minhas válvulas de escape não funcionam.
Enfim, na minha humilde
opinião, todo mundo tem um esqueleto escondido no armário. Alguns esqueletos
contam uma boa história ao sair.
Outros nem tanto.
Márcio Luiz Soares
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No clipe, uma das minhas músicas
preferidas da Kelly Clarkson, Dark Side.
O que se vê nas imagens do clipe não condiz tão incisivamente com a letra dessa bela canção. Infelizmente. Mas tá valendo.
O brilhante curta-metragem Adam
e Dog é uma verdadeira obra-prima da animação. Nele, tudo parece ter mais
coração do que muitos filmes que eu vi ultimamente. É uma experiência artística
cinematográfica que não deve ser desperdiçada.
Adão criou o vínculo homem/cão
em primeiro lugar? Vai saber. De qualquer forma, este filme procura mostrar
claramente que ambas as espécies, desde os primórdios da humanidade, tinham
algo a oferecer um ao outro: a amizade.
Eis mais um ótimo curta criado
especialmente para comover e emocionar e cheio de sacadas sutis. Nem uma
palavra é dita nessa trama inteligente, a menos que você considere os latidos
do animal. O silêncio ajuda a criar a serenidade do mundo edênico do filme, e
tudo é contado sem esforço por meio de atos, gestos e expressões faciais. Assim
que o cão se depara com Adam, ou Adão, a gente percebe que está se contando uma
versão da história do primeiro cão do mundo e seu relacionamento no
Jardim do Éden e, no fim, fica claro por que os cães são tão especiais para a
humanidade. Mas a melhor sacada é a expulsão do Jardim do Éden e o quanto o cão
é fiel nesse momento.
Contar boas histórias é uma
arte extremamente sutil. Mesmo com a palavra escrita não é tão simples quanto
se pensa. Contar boas histórias é muito mais que descrever situações e passar
informações precisas. O narrador deve decidir, além de qual será a melhor forma
de estabelecer detalhes sobre os personagens, como criar tensão narrativa e continuar
contando a história sem se perder, sem deixar a peteca cair. E esse curta é
assim, de forma bem eficiente cria um mundo e estabelece o amor entre dois
personagens, em menos de 15 minutos, num ritmo absolutamente sem pressa e nem
por isso a gente perde o interesse, e nem imagina o que, afinal, vai acontecer. Nem mesmo que pode se surpreender. E se caso acertar o final, vai gostar muito mais.
Os curtas-metragens são
impressionantes, pois permitem aos seus produtores e cineastas a oportunidade
de ser diferentes e experimentais, sem o custo de um filme de longa-metragem e
garantindo um bom entretenimento e diversão a nós, meros espectadores. E o
espectador que se desarmar de certos conceitos ou de preconceitos vai sentir o
quanto esse curta é deslumbrante e poderoso.
Essa versão da Hide U, com a banda britânica Kosheen,
além de ser uma drum and bass que me
alucina, ela tem um clima sombrio que me pegou de jeito! Sem falar de todas as suas derivações que me fazem ficar horas ouvindo uma atrás da outra - não paro nem
pra comer! =)
Phil Collins dispensa
comentários pra quem curtiu as suas músicas há algumas décadas e com certeza
curte até hoje. Depois de sua passagem inicial como vocalista do Genesis, ele
surpreendeu as ondas de rádio com diversas músicas, mas destaco aqui a ótima In the Air Tonight.
Dá gosto ouvir a batida dos
tambores de uma forma que ainda não tinha sido feito antes, complementados por
grooves contagiantes e seu impressionante alcance vocal. Seu modo de tocar,
embora de forma única, sem dúvida, foi um pouco ofuscada pela engenharia de
estúdio e mixagem final, mas isso logo seria corrigido em suas apresentações ao
vivo. Sempre fascinante! Um baterista de rock muito talentoso. Dá gosto vê-lo cantar e lembrar de sua marca na música pop com suas batidas de bateria notáveis.
Veja uma das melhores
apresentações de In the Air Tonight ao
vivo.
Aqui você pega a letra com
tradução e veja aqui o clipe oficial.
As palavras certas fazem uma
conexão emocional com as pessoas. Uma das principais considerações deve ser a
forma de causar o maior impacto possível sobre o público. Se as palavras
escolhidas não surtem o efeito desejado, então, realmente, não há muito sentido
em dizer ou escrevê-las. Comprove.
Nem sempre a letra de uma
música bate com as imagens de um clipe e taí uma coisa que nem importa muito.
No caso do clipe da excelente The Fall [A Queda], da dupla Rhye, o que vemos no vídeo está mais pra uma meditação
existencial sobre a idade adulta depois que se passou dos 40 anos, e quanto a falta de inocência e o aumento do
desejo, de forma um tanto quanto deprimente, absorve a maturidade que levou um
tempão pra se construir.
A música, além de muito
deliciosa, com vocais precisos que é ao mesmo tempo quente e alegre, é
satisfatoriamente melancólica. Consegue entender isso?
Impossível não se deixar
envolver com a sua letra que estabelece uma trama de versos apaixonados,
confessionais e que por si só já são levemente dançantes. Compondo, assim, uma
perfeita trilha sonora de coisas que raramente são ditas. A música, uma
mistura de canção de amor com canção de desgosto, vai se desmanchando suavemente nos
ouvidos, pois é cheia de alma, e aos poucos vai deixando a gente extasiado,
graças a uma batida leve e envolvente.
E o que vemos no clipe, de
maneira não muito distinta, é o quanto a vida pode parecer que é uma merda e que, quando a
gente se depara com a perda da doce juventude, tudo parece muito frustrante. E
isso pode ser extremamente... comovente!
Depois que o clipe acaba, muito
marmanjo vai ficar se perguntando: "o que realmente significa essa coisa
de ser adulto, responsável e maduro, hein?" Não fique muito alegrinho não,
cara pessoinha jovem! Você está envelhecendo a cada segundo e um dia vai se ver
na mesma situação. =)
Então, de olho nas imagens e
aumenta o volume pra curtir essa dupla que eu considero que vai ser uma grande
aposta para 2013. Se gostar dessa, vai ser impossível não pedir mais. E aqui vai
ter.
Márcio Luiz Soares
* * *
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Para aqueles que quiserem ouvir
uma versão mais dançante, eis aqui uma acrescida com o vibrante swing dos
anos 70:
Sinto uma aura de anos 80 quando
ouço Somebody That I Used To Know, do
Gotye. Na atraente e intrigante abertura principalmente. O uso das vozes
masculinas e femininas descrevendo uma relação que não deu certo
lembra muito uma música do Human League, "Don't
You Want Me" [que você pode conhecer ou lembrar vendo o clipe aqui]. Depois, há o
timbre da voz-sósia de Sting no refrão. Sério, quando ouvi pela primeira vez,
achei que era uma música nova do Sting. O ponto alto desta música é a
intimidade desta gravação que a torna fascinante, especial, elegante e que nos
conquista de imediato, seja pela sonoridade, pela letra convincente e pelos
vocais emocionais.
Quando o cantor diz "Alguém
que eu costumava conhecer", expressa uma ironia muito refinada. A letra toda, expondo simplesmente um
relacionamento que teve um triste fim, estabelece a dor nua no final infeliz de
um casal, mas mostra de forma impecável uma enorme realidade constante nas
vidas das pessoas, levantando mais perguntas sobre os protagonistas do que
respostas. Então ouvimos o lado feminino da história, elevando a música ao
brilho.
A maioria de nós também pode
relacionar com a dor torturante de alguém importante tornando-se, simplesmente,
"alguém que eu costumava conhecer".
A canção até pode não ser
chamativa, mas é instantaneamente memorável e está destinada a ser um clássico.
Esta será uma das músicas do ano para 2012. *
Abaixo, dois clipes. O primeiro é
sensacional e o outro é uma versão de estúdio que exala tanto a simpatia dos envolvidos que vale a pena ver.
A filósofa e poeta Viviane Mosé
deu um show de interpretação ao recitar uma poesia de sua autoria, inspirada
nas obras de Nietzsche, durante uma apresentação no Café Filosófico, em Campinas.
quem
tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele?
sulcos
na pele? sulcos
quem
tem olhos pra ver na pele o tempo soprando sulcos na pele?
Confira por que essa bela
animação ganhou 27 prêmios internacionais.
Falar dessa animação é tarefa
difícil, quase banal. Talvez por isso Po Chou Chi, o jovem diretor, natural de
Taiwan, radicado em Los Angeles, não usou nenhuma palavra em The Lighthouse (O Farol).
Cheio de sutilezas e
simbolismos, o filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, do
crescimento, de amor e respeito. Mostra, em pouco mais de 7 minutos, o
crescimento, o aprendizado, a partida, o retorno e o envelhecimento. E o fim,
que é também começo.
O Farol é a casa, o lar, o
porto seguro, o sinalizador de que está tudo certo, o abraço do pai. Os barcos
a um só tempo simbolizam as conquistas, mas também as indas e vindas. Cartas
são escritas, o pai espera, as estações mudam, e o inverno chega.
Tudo embalado, como a cereja do
bolo, pelo delicado piano de Chien Yu Huang.
O Farol, como não podia deixar
de ser, foi dedicado aos pais de Po Chou Chi.
Muita gente não entende (e muitas não querem entender) a importância e a grandiosidade dos desfiles de Carnaval, uma das maiores manifestações da cultura brasileira. Um trabalho imenso que desde a escolha do tema, do enredo, das fantasias, e toda a organização, envolve muito dinheiro, tempo e dedicação. Sobretudo no Rio de Janeiro, considerada mundialmente como a face do Brasil, cidade que detém o título de recordista da maior e mais famosa festa de Carnaval e por ser a que mais atrai turistas neste período.
Música, fantasias, máscaras, dança, desfile e muita festa, tudo isso foi excepcionalmente
descrito e registrado num vídeo incrível feito pelo diretor de cinema, produtor e músico, o
brasileiro Jarbas Agnelli, em parceria com um australiano, o fotógrafo e cineasta
Keith Loutit.
O produto final é nada menos
que sensacional. Agnelli exibe o cotidiano do Rio e o desfile de carnaval de uma
forma que nunca foi vista. Nos cinco dias de carnaval, a dupla disparou 167.978 clicadas, para editar de forma magistral um filme feito no estilo tilt-shiftintitulado A Cidade do Samba. O Rio em
grandiosa miniatura.
Destaque para a trilha sonora
composta pelo próprio Agnelli, de extremo bom gosto. A partitura original se
encaixa perfeitamente com o que está sendo visto e transmite todas as emoções
na medida certa. Coisa de cinema.
Assistindo o vídeo, você mal
percebe que são fotografias, pois o efeito tilt-shift faz tudo parecer que são maquetes ou que são
miniaturas feitas de massinha. Uma bela mistura de técnica e sensibilidade
permeada de sentimento e encantamento. Simplesmente genial.