
Sempre brinquei com essa coisa do inferno astral, uma espécie de força sobrenatural que, hipoteticamente, talvez, afeta o ser humano quando se está perto da data de aniversário, cerca de trinta dias antes. Apesar de não duvidar que isso fosse possível, levava na brincadeira. Brincava quando me servia de desculpa para qualquer coisa ruim ou desajustada que acontecia comigo no mesmo período. Achava que se acreditasse em sua existência, aí sim aconteceria de verdade.
Agora vejo que eu "pensava" que era desculpa. Agora acredito piamente. Estava revirando meu baú mental do passado e fui obrigado a admitir que ele existe. Pelo menos comigo. Ou é uma bruta coincidência. Mas o pior é que não acredito em coincidências.
Ainda mais pelos acontecimentos recentes. Começou no início do mês quando quebrei um pé. O estressante não é ter de ficar sentado ou deitado com o pé pra cima o tempo todo. Muitos filmes, muita tv, muitas leituras e muita internet. Não posso reclamar. Mas ficar em casa, com movimentos limitados e ainda ter de andar de muletas, tá sendo um porre!
Passou pouco da metade do mês, mas pela quantidade de notícias desagradáveis que recebi (e que tive de dar); por ler algumas mensagens que me deixaram puto; por mais de um ruído de comunicação dentro da família; pela perda de um amigo muito querido; por ter sido mais curioso que um gato e ver coisas desagradáveis pelo mesmo motivo, me roubando certas esperanças; e a cada hora um funcionário do serviço médico falando uma coisa pra ser providenciada sobre a perícia da minha lesão (uma "burrocracia" sem tamanho, tantas idas e vindas sem sucesso), realmente me estressaram, no limite. E pra piorar tudo, minha gastrite atacando novamente. Assim fica difícil não acreditar que estou no meu inferno astral. Ou está acontecendo pelo fato de achar que existe? Sei lá. Já não sei mais.
Justo eu, que sou reconhecido pelos amigos mais próximos como dono de uma paciência de Jó, com uma grande capacidade de afugentar o tédio, o pessimismo e os pensamentos ruins, sempre cheio de positivismo e muito otimista, tenho que considerar que é um outubro cinza.
Só não é negro porque outubro me trouxe algumas coisas boas também, como novas amizades; meu notebook; um maior entendimento dentro de casa; o reconhecimento de quem é realmente amigo; e o horário de verão que eu adoro.
É. Não está tão ruim. Mas continua cinza. A previsão é de pancadas de chuva. Por sorte possuo um guarda-chuva gigante. Apenas tinha esquecido de abrir.
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