sábado, 10 de março de 2012

O Rio em miniatura





Muita gente não entende (e muitas não querem entender) a importância e a grandiosidade dos desfiles de Carnaval, uma das maiores manifestações da cultura brasileira. Um trabalho imenso que desde a escolha do tema, do enredo, das fantasias, e toda a organização, envolve muito dinheiro, tempo e dedicação. Sobretudo no Rio de Janeiro, considerada mundialmente como a face do Brasil, cidade que detém o título de recordista da maior e mais famosa festa de Carnaval e por ser a que mais atrai turistas neste período.

Música, fantasias, máscaras, dança, desfile e muita festa, tudo isso foi excepcionalmente descrito e registrado num vídeo incrível feito pelo diretor de cinema, produtor e músico, o brasileiro Jarbas Agnelli, em parceria com um australiano, o fotógrafo e cineasta Keith Loutit.

O produto final é nada menos que sensacional. Agnelli exibe o cotidiano do Rio e o desfile de carnaval de uma forma que nunca foi vista. Nos cinco dias de carnaval, a dupla disparou 167.978 clicadas, para editar de forma magistral um filme feito no estilo tilt-shift intitulado A Cidade do Samba. O Rio em grandiosa miniatura.

Destaque para a trilha sonora composta pelo próprio Agnelli, de extremo bom gosto. A partitura original se encaixa perfeitamente com o que está sendo visto e transmite todas as emoções na medida certa. Coisa de cinema.

Assistindo o vídeo, você mal percebe que são fotografias, pois o efeito tilt-shift faz tudo parecer que são maquetes ou que são miniaturas feitas de massinha. Uma bela mistura de técnica e sensibilidade permeada de sentimento e encantamento. Simplesmente genial.


Márcio Luiz Soares



quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher, mulher





Mulher, mulher
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um dez
Sou forte mas não chego aos seus pés

Erasmo Carlos


É mais feliz aquela mulher que admite pra si mesma: "Ser mulher é uma poesia às vezes difícil de compreender e outras tantas difícil de escrever, mas que é uma delícia de viver!".

Se precisa mesmo de um único dia para a mulher ser lembrada pelo seu esforço e dedicação, se tem que existir um dia especial para que todos desejem que elas conquistem cada vez mais seus desejos e alcancem cada vez mais seus sonhos, então que seja hoje!

Queridas navegantes, feliz Dia Internacional da Mulher!

Um feliz dia da mulher não apenas hoje, mas todos os dias.


Márcio Luiz Soares

***
Quer ouvir a música do Erasmo? Então vai aqui e clica no play.


terça-feira, 6 de março de 2012

Parte da trilha




A voz de Yoav e a entonação que ele consegue imprimir conforme movimenta as cordas da sua guitarra acústica é de uma sintonia assombrosa, além de ser capaz de provocar uma distintividade extraordinária, diria que até hipnótica! O cara felizmente está cimentando um novo conceito neste mercado tão disputado, e os DJ's de plantão estão fazendo a festa.

Ele tem um jeito elegante de cantar que rapidamente nos envolve e de repente a gente se vê dançando ou mexendo alguma parte do corpo. Isso se conseguir não mexer o corpo todo!

É ouvir, absorver, viajar e sumir por uns minutos. Se é que me entende.

Se desejar ouvir uma versão mais dançante da Beautiful Lie (clipe oficial abaixo), clica aqui. Como de costume, a letra e a tradução estão aqui.




Se quiser te mando outras versões em áudio. É só pedir. Aproveita que eu tô bonzinho.


Márcio Luiz Soares

domingo, 4 de março de 2012

A arte de perder




Uma Arte


Não é tão difícil dominar a arte de perder;
tanta coisa parece preenchida pela intenção de ser perdida
que sua perda não é nenhum desastre.

Perca algo a cada dia. Aceite a agitação
de perder as chaves da porta, a hora mal gasta.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Então, pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares, nomes, e para onde foi que você quis
viajar. Nenhum deles trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E olhe! meu passado, ou
recentemente, três casas amadas se foram.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Perdi duas cidades lindas. E, mais vasto,
alguns reinos que possuía, dois rios, um continente.
Sinto falta deles, mas não foi um desastre.

- Mesmo perder você (a voz brincando, um gesto
que eu amo) não posso mentir. É evidente
que a arte de perder não é muito difícil de dominar
embora possa parecer (Escreva isto!) um desastre.



Elizabeth Bishop

* * *
One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.


Elizabeth Bishop


* * *
Imagem: Flickr – Galeria de Kaddy

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Recomeço





Quando ainda se escreviam crônicas de carnaval, as de Quarta-Feira de Cinzas eram as mais comuns. Tratavam de ressaca e remorso, de fim da folga e volta ao trabalho, e de todas as possibilidades dramáticas ou patéticas de um carro alegórico abandonado e um falso marquês estirado na sarjeta.

Havia até uma subcategoria de crônica de Quarta-Feira de Cinzas, a crônica de volta do marido para casa. Do reencontro, às vezes catastrófico, do brasileiro com a realidade na forma da Adalgisa esperando no portão, e não aceitando desculpas.

Quarta-Feira de Cinzas era uma coisa muito brasileira. Como ninguém tinha um carnaval parecido com o nosso, ninguém tinha um pós-carnaval tão triste. Uma queda de tanta altura.

Mas o curioso é que, quanto maior e mais coisa inédita brasileira fica o carnaval, mais o nosso pós-carnaval perde suas características — e seu valor literário. Hoje, a figura típica do pós-carnaval não é mais o folião deixando sua fantasia no caminho na volta ao seu duro cotidiano, é o finlandês embarcando no avião e levando sua fantasia para mostrar em casa.

E não tem mais Adalgisa esperando no portão. O marido que volta teve o mesmo destino de outros personagens clássicos: foi engolido pelo tempo e pela irrelevância. Ele não sai mais de casa no sábado e só reaparece na quarta-feira vestindo um cuecão e dizendo que foi sequestrado por sugadoras alienígenas, o que explica os chupões no pescoço. Isso é coisa do tempo antigo. De outros pós-carnavais.

Razão têm os baianos, que acabaram com o pós-carnaval. Lá chamam a Quarta-Feira de Cinzas de “Recomeço”, e emendam. E como gênero literário as crônicas de Quarta-Feira de Cinzas também perderam toda a legitimidade. Viraram anacrônicas. Como esta, que ainda por cima está saindo na quinta.

SILÊNCIO
Estou escrevendo sem saber o resultado da votação para as escolas do Rio. Fiquei impressionado com o Salgueiro, mas estou sem predispostos a ficar impressionado com o Salgueiro. Mas desconfio que este ficará na história como o carnaval da parada da bateria da Mangueira. Quer dizer, a coisa mais memorável do carnaval de 2012 será o silêncio.


Luis Fernando Verissimo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O tamanho da gente





O homem acha o Cosmos infinitamente grande
E o micróbio infinitamente pequeno.
E ele, naturalmente,
Julga-se do tamanho natural...
Mas, para Deus, é diferente:
Cada ser, para Ele, é um universo próprio.
E, a Seus olhos, o bacilo de Koch,
A estrela Sírius e o Prefeito de Três Vassouras
São todos infinitamente do mesmo tamanho...


Mário Quintana