domingo, 24 de outubro de 2010

Simplicidade





“Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”

Clarice Lispector

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Foto: de Monique (site 1x.com)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Meu anjinho





Te amo, te amo, te amo muito, Giulia. Tudo o que eu escrever ou falar, ainda será muito pouco perto de tudo o que eu sinto por você. Sou abençoado por você existir, por ser parte de mim e por tantas alegrias que deu e que ainda vai me dar.

Seja feliz, sempre. Você merece.

Beijos, do papai.

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O vídeo abaixo, neste Dia das Crianças, é uma singela homenagem ao meu anjinho, minha princesa, que, como ela mesma diz, está deixando de ser uma criança.

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Clipe: Anjinho - Taciana Barros (DVD Pequeno Cidadão, 2010)

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Foto: Giulia, aos oito anos (2006).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Desejos






Eu queria ter me tornado um jogador de futebol. Logo me convenci que não era bom nisso. Desde cedo levava jeito para os negócios. Para alegria da minha mãe. Meu pai pouco se importava. Ter uma mãe muito ambiciosa me tornou uma pessoa fria. Apesar das tentativas carinhosas do meu pai. A única coisa que herdei dele foi o seu distanciamento que adquiriu ao longo do tempo. Rendendo-se. 

Quem também se rendeu foi Eliana. Desistiu de insistir. Deixei de desejá-la como antes. Não foi por crueldade do tempo. Ela continua encantadora. Sempre foi naturalmente sedutora. Desde menina. Mas eu a queria possuir simplesmente por querer tudo. Naturalmente ambicioso. Sempre fui. Não sabia perder. Não gosto de perder. As únicas coisas que não me importei em perder foram o seu amor e o seu desejo. Eu já tinha outros desejos. Como tantos outros que passam e deixam marcas. Nunca mais me apaixonei. Se eu me apaixonei. Difícil ter certeza. 

Paixão era o que Jorge sentia pela Eliana. Mas eu também a desejava. Como desejei um jogo de tabuleiro de Jorge. Uma espécie de estopim em minha vida. Eu logo entendi por que Eliana me escolheu. Foi pela minha agressividade. Sempre fui audacioso. A frustração de ficar de fora do futebol me tornou assim. Um golpe de sorte. Ou destino.

Mas não foi o destino que me trouxe até aqui. Para o meu mundo de aço e concretos. Foi a solidão. Sou solitário por opção. Minhas posses não me dão o que realmente preciso. Encontrar comigo mesmo. Desconsertar o passado. Intensificar a vida. Sacrificar os desejos. Lamentar o que o tempo cura. Entristecer com as fraquezas. Enxergar que o copo está meio cheio. Prorrogar os momentos felizes.

Um dia vou desistir de desejar tanto. Talvez assim eu busque o que Jorge sempre teve. A simplicidade. Talvez assim eu me torne o que Eliana sempre foi.  Uma conquista.



Márcio Sclinder

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O texto acima completa a trilogia Vozes. Não precisa ler na ordem, mas ler na sequência torna o último episódio mais interessante. 
Episódio 1 - O Jogo
Episódio 2 - Razões

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Foto: Nature . Sea . Landscape (Miroir - Ubiquité) de Tiquetonne2067 (Flickr)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ops!



...ops!

...e me vejo ...visivelmente arranjando... ...motivos/maneiras/formas/assuntos/desculpas/programas/guloseimas...
...etc e tal
...só para te ter por perto!

...bandeiraça!

Confissão só para evidenciar o fato.



Patrícia Pisarro

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Ilustração: Dancing in the Moonlight, de Mc Cool

Clique na imagem para ampliar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pior que está sempre pode ficar






A cada início de campanha e, principalmente, a cada programa no horário eleitoral gratuito, aumenta a certeza da necessidade de uma revisão geral nas regras eleitorais, dentro de uma verdadeira reforma política. Não dá mais para tolerar aquele amontoado de pseudopartidos, com pseudocandidatos, ocupando espaço nobre no rádio e na televisão. Não dá mais para aturar discursos vazios, caras-de-pau, piadinhas infames, ignorância e mais do mesmo. Não dá mais para aceitar palhaços brincando de políticos e políticos fazendo palhaçada. Não tem mais graça.

Na outra ponta, dos partidos e candidatos “sérios”, a situação não é muito melhor. O que vemos é uma falsa polarização de discursos na disputa pela Presidência, pois a oposição não faz oposição e a situação se contenta em converter uma candidatura forjada na simples continuidade de um governo, como se isso fosse realmente possível. É preciso mudar o que está aí. E, pelo que se vê a cada eleição, e ao contrário do que diz o slogan de um dos “palhaços candidatos”, pior do que está, pode ficar sim.


Ricardo Alécio

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Acompanhe o autor pelo Twitter: www.twitter.com/ricardoalecio

Texto extraído da coluna Xeque-Mate, do Correio Popular de 31/08/2010, Campinas/SP

Ilustração: charge de Dalcio (http://dalciomachado.blogspot.com/)

domingo, 29 de agosto de 2010

Quem quer brincar põe o dedo aqui!







Brincar é coisa de criança. Você provavelmente já ouviu (ou já disse) essa frase. Mas será que é isso mesmo? Segundo os dicionários (Houaiss e Aurélio), brincar é se distrair com jogos infantis, com um objeto ou uma atividade qualquer, como pular, correr, se agitar, se divertir infantilmente, foliar e dançar. 

O Artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da ONU diz: "Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, e a participar de atividades de jogo e recreação, apropriadas à sua idade, e a participar livremente da vida cultural e das artes". 

Se eu disser que brincar cumpre muitas funções fundamentais ao desenvolvimento das crianças e dos adultos e que não é necessário nenhum brinquedo para isso, você pensaria que eu estou... brincando? 

Eu poderia tentar convencer a todos, dizendo, "cientificamente", que brincar: — exercita potencialidades, favorece o conhecimento, sociabiliza, sensibiliza e desenvolve intelectual, física, social e emocionalmente (psicomotricidade, linguagem e criatividade); — estimula o pensamento e os sentidos através de atividades do dia-a-dia (mudar as coisas de lugar, bater a mão na mesa, brincar com bichos ou atirar coisas no chão, na parede, etc.); — exterioriza sua realidade interior, libera sentimentos e expressa opiniões; — ensina a seguir regras, experimenta formas de comportamento, tem papel decisivo nas relações entre a criança e o adulto, entre as próprias crianças e entre a criança e o meio ambiente; — cria meios para tornar as crianças responsáveis, atenciosas, trabalhadoras; — ensina a trabalhar em grupo, a compartilhar, negociar, solucionar conflitos e a defender pontos de vista. 

Ficou claro? Convenci vocês? Está política e cientificamente correto? Mas não existe uma forma mais divertida de entender essa questão e, mesmo assim... brincar? 

As crianças se espelham nos adultos próximos e queridos (familiares e professores, por exemplo). Assim, temos nossa parcela de responsabilidade, até em ensinar as crianças a não levarem tudo tão a sério e de forma tão adulta. Ou será que nós não podemos aprender com as crianças a sermos responsáveis apenas na medida e que podemos brincar mais com a vida, com as pessoas, com nossos filhos? 

Tempo e espaço. É tudo o que nós precisamos para brincar. De quanto espaço precisamos para sonhar? Quanto tempo é necessário para sorrir? 

A criança pode brincar com adultos, com outras crianças de qualquer idade e é importante que aprenda a brincar até sozinha, estimulando sua imaginação. Pode-se brincar com ou sem brinquedos e é importante que a criança conheça e use as duas possibilidades. 

Mas é no seu espaço, no seu lar, na sua família, que se forma a base de seu mundo de agora e de todos os tempos. Tempo e espaço. Diversão sem brinquedos pode ser a chave para unir mais a família. 

Muitas vezes, tentamos suprir nossa ausência e amenizar nossa culpa através de presentes, dando brinquedos para que nossos filhos se ocupem, enquanto não temos tempo ou espaço para eles em nossas vidas. A melhor brincadeira para eles (e para nós, sem nenhuma dúvida) é aquela que jogamos juntos, transmitindo nosso entusiasmo. 

E se nós priorizássemos, em busca de um futuro melhor para nosso mundo, um tempo e um espaço em nossa atribulada agenda para brincar com nossos filhos? Especialistas garantem que meia hora diária para brincar com os filhos é suficiente para incorporar essa atividade importante na rotina familiar. Baseado nessas opiniões e aproveitando uma campanha brilhante que já existe, eu proponho criar um movimento: O Agita Família. 

São apenas 30 minutos (tempo), em casa ou em algum outro lugar (espaço), que os pais podem dedicar a brincar com seus filhos de qualquer idade. Brincar de roda, contar histórias, esconde-esconde, fazer bolinhas de sabão, correr, pintar, dançar, fantasiar, amarelinha, pega-pega e muitas outras possibilidades que vocês brincavam quando crianças. 

Junte-se a esse movimento, brinque e vamos sair do "sedentarismo familiar".


Moises Chencinski
(o autor é médico homeopata, pediatra)

Extraído do jornal Correio Popular, de 10/10/2008, Campinas/SP 

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Foto: Fun theory, de Ben Smith (dotbenjamin)