
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa


Muitas pessoas buscam a realização profissional, a estabilidade financeira, um bom casamento, constituir uma família equilibrada, adquirir, além de uma boa casa, outros bens materiais, procuram seguir alguma religião para se sentir bem espiritualmente e tudo isso resume, direta ou indiretamente, na busca da felicidade.
Esses são ingredientes básicos e essenciais para uma vida plena e significativa. Ironicamente, nessa corrida para garantir a felicidade, mesmo que não se deem conta disso, as pessoas costumam esquecer do item mais importante para manter e garantir todas as outras coisas: a saúde. Muitos indivíduos, mergulhados numa louca ambição, acabam se afastando cada vez mais disso e quando se dão conta, pode ser tarde. A vida se tornou tão agitada e ocupada que está tendo seus efeitos sobre nossa saúde e bem-estar. Mais e mais pessoas parecem estar sofrendo de uma série de problemas relacionados com a saúde e com as tensões da vida cotidiana.
Parece ridículo, mas é bem verdadeira aquela frase que diz que "os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”. Há mais vida além das posses e realizações profissionais, a saúde e o bem-estar não são comercializados nos mercados.
É importante reconhecer que a felicidade, quando alcançada, mesmo que efêmera, colabora para preservar a boa saúde. É o que chamam de prosperidade emocional. O objetivo é descobrir o que é preciso para viver bem, ter uma vida gratificante e envelhecer de forma saudável.
Alguns fatores que predizem um envelhecimento saudável, tanto física como psicologicamente, são adquiridos de forma muito simples: uma boa educação, um bom casamento, não fumar, não abusar do álcool, praticar exercícios regularmente, manter um peso saudável e, acredite, se comportar de forma altruísta - ser voluntário em causas nobres que gratificam tanto a mente quanto o espírito. E quando estas pessoas atingem um nível estoicista, a gratificação pode ser ainda maior.
Colabora com tudo isso o poder do relacionamento, fator condicionante para uma boa vida. A aptidão social nos leva a um envelhecimento saudável e bem sucedido emocionalmente. Para muitos é o posicionamento social ou o brilhantismo intelectual, ou seja, a alimentação do ego, que provoca um tipo de bem-estar. É errado pensar assim. Nada disso terá importância quando a experiência mostrar que já se viveu o suficiente para ter uma vida plena e quando o indivíduo deixar de ter o mesmo vigor físico e emocional para enfrentar as tempestades do dia a dia. Pois coisas terríveis acontecem a todo momento e ninguém pode se sentir imune. Temos que manter aceso o senso de humor, fazer amigos, dar algo de si aos outros, se divertir e aprender coisas novas.
O efeito de felicidade, ou o bem-estar subjetivo, nos leva a uma vida mais longa, entre outros fatores. Mas como atingir esta felicidade? Em paralelo às outras necessidades básicas, devemos evitar os sentimentos negativos que mais impactam na nossa saúde mental: raiva, intolerância, ciúme e outros venenos. Quantas vezes a gente se depara com algum conhecido que sempre reclama da vida dele ou da dos outros? Não precisa se afastar de pessoas assim, mas evite dar trela a esses papinhos.
Sinto-me orgulhoso com aqueles que enfrentam os desafios da vida com um belo ou singelo sorriso estampado no rosto. Eles até podem carregar uma nuvem negra sobre suas cabeças de vez em quando, mas parecem ter a receita perfeita para fazer surgir o sol por trás da nuvem e espalhar seu brilho ao seu redor no processo de atenuar os seus próprios problemas emocionais ou físicos. São pessoas que tem um controle emocional grandioso e por meio de sua força de vontade e uma disposição invejável afastam a negatividade, espalhando alegria na vida de todos que entram em contato com elas.
Se você não é assim, não tem essa energia toda, que tal começar agora? E em todas as manhãs, ao acordar, faça uma oração matinal de agradecimento a Deus por estar vivo, peça para que te cubra o dia todo de satisfação e alegria. Ao encontrar as pessoas no seu caminho, enriqueça os olhos daqueles que receberem o teu sorriso contagiante. Claro que não é fácil viver a vida toda assim, não se pode viver eternamente num mar de rosas e viajar constantemente num céu de brigadeiro, no entanto, torna a vida mais fácil, mais suportável e cheia de otimismo.
O segredo desta receita de bem-estar é respeitar a vida com todos os seus altos e baixos, e vivê-la intensamente como se não houvesse amanhã.
Márcio Luiz Soares

Para muitas pessoas a comida serve para aliviar a dor emocional.
Você já ouviu aquela conhecida música dos Titãs?: “Você tem sede de quê? / Você tem fome de quê? / (...) A gente não quer só comer / A gente quer comer e quer fazer amor / A gente não quer só comer / A gente quer prazer pra aliviar a dor”. Realmente muitas vezes o que se esconde por trás de uma compulsão alimentar e de uma sensação de fome constante, não é apenas um alerta de que o nosso estômago está vazio.
Como diz a música, para a maioria das pessoas a comida serve para aliviar a dor emocional, aplacar a carência, descontar a raiva do trânsito, dos pais, do marido, da namorada e etc. Quantas vezes você já se pegou literalmente comendo os seus problemas? Daí como consequência, vêm o excesso de peso e a queda da auto-estima, que também nos leva a comer mais e entrar em um círculo vicioso de comida, problema, aumento de peso, queda de auto-estima, comida, excesso de peso, maior queda de auto-estima e assim por diante.
No fundo, não somos totalmente culpados por esses hábitos, pois quando pequenos nossas mães e tias (e aqui vai um alerta para quem tem filhos pequenos) resolviam todos os nossos problemas, medos, dores físicas e choros noturnos com um chazinho bem doce, uma sopinha, um mingau de aveia ou um pedacinho de bolo, e sem perceber nos estimulavam a associar a comida, o sabor doce e o ato de mastigar como solução às nossas carências, como forma de afeto e consolo.
Devido a esse condicionamento, para algumas pessoas é praticamente impossível cortar o doce da dieta ou não comer diante das adversidades da vida. Como forma de aliviar o vazio interno, algumas pessoas por mais que comam, ainda sentem o estômago com um buraco e não conseguem se saciar. Mas é importante você começar a diferenciar a fome da vontade de comer e identificar quando o vazio não é no estômago e sim nas emoções, e até na alma.
Tenho consciência de que essa tarefa não é fácil, principalmente com o passar dos anos e com o gradual acúmulo de mágoas e frustrações que carregamos. No entanto, há outros hábitos e técnicas mais saudáveis de compensar a sua carência, como, por exemplo, caminhadas, meditação (como forma de relaxamento), boxe (imagine como você estivesse lutando com quem te magoou), corrida (para deixar os problemas para trás) e massagem (para aliviar a carência).
Portanto, da próxima vez que você sentir vontade de atacar um pudim de madrugada, ou terminar de almoçar e ainda continuar com a sensação de estômago vazio, pergunte-se: Você tem fome de quê?
Milena Lhano
Terapeuta floral, grafóloga e iridóloga
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Imagem: cena do filme Comer, rezar, amar, de Ryan Murphy.