quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tempo





A filósofa e poeta Viviane Mosé deu um show de interpretação ao recitar uma poesia de sua autoria, inspirada nas obras de Nietzsche, durante uma apresentação no Café Filosófico, em Campinas.


quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele?
sulcos na pele? sulcos
quem tem olhos pra ver na pele o tempo soprando sulcos na pele?

o tempo andou riscando o meu rosto
com uma navalha fina

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instante
eu acho que eu ganhei presença

eu acho que a vida anda passando a mão em mim
eu acho que a vida anda passando
eu acho que a vida anda passando
eu acho que a vida anda
em mim a vida anda
eu acho que há vida em mim
a vida em mim anda passando
eu acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo
quem anda me comendo é o tempo
se bem que faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

eu acho que eu ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando


Viviane Mosé

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

The Lighthouse




The Lighthouse, de Po Chou Chi.
Confira por que essa bela animação ganhou 27 prêmios internacionais.



Falar dessa animação é tarefa difícil, quase banal. Talvez por isso Po Chou Chi, o jovem diretor, natural de Taiwan, radicado em Los Angeles, não usou nenhuma palavra em The Lighthouse (O Farol).

Cheio de sutilezas e simbolismos, o filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, do crescimento, de amor e respeito. Mostra, em pouco mais de 7 minutos, o crescimento, o aprendizado, a partida, o retorno e o envelhecimento. E o fim, que é também começo.

O Farol é a casa, o lar, o porto seguro, o sinalizador de que está tudo certo, o abraço do pai. Os barcos a um só tempo simbolizam as conquistas, mas também as indas e vindas. Cartas são escritas, o pai espera, as estações mudam, e o inverno chega.

Tudo embalado, como a cereja do bolo, pelo delicado piano de Chien Yu Huang.

O Farol, como não podia deixar de ser, foi dedicado aos pais de Po Chou Chi.

Rita de Sousa
(Coluna do Ricardo Setti - Veja.com, 12/8/2012)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Parte da trilha





Ela olha pra você, seu humor normal, sua alma tão limpa.
E ela imagina: eu sou tão feliz quanto poderia ser?

Se você quiser ficar no chão fale por si mesmo.
Se você quiser deixá-la por aí, deixe-a ser ela mesma.

Ela quer paixão, ilusão, brigas e mentiras.
Ela quer desejar, desafiar, gritar, voar!!

Ela quer os danos que não pode achar no seu beijo.



* * *
Texto compilado da letra da música que foi feita pra ouvir bem alta - bota o fone e curte o clipe aí!

She - Brollies & Apples


A letra e a tradução você pega aqui.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Revanche





"Uma mágoa não é motivo pra outra mágoa. Uma lágrima não é motivo pra outra lágrima. Uma dor não é motivo pra outra dor. Só o riso, o amor  e  o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo, é perda de vida."

Chico Xavier

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pausa para literatura





Começaram a surgir, nos embalos da Festa Literária de Paraty (Flip), uma série de eventos promovidos por editoras e livrarias em outras cidades do País. São lançamentos de livros, debates, sessões de autógrafo etc. Acho ótimo, é sinal de que a ideia surtiu efeito e está se proliferando. Mas tem uma coisa que torna a Flip incomparável a qualquer outro evento de literatura no Brasil e no mundo, algo impossível de substituir, que aparece discretamente representado na sigla pela letra P: a cidade de Paraty.

Este ano, a festa completou 10 anos. Li uma matéria publicada no último 4 de julho, dia da abertura oficial, em que diversos críticos e jornalistas discutiam seu futuro, listando prós e contras, sugerindo novos caminhos. É fato que se encontrou uma fórmula de sucesso. Seria a hora de mudar para não sucumbir à mesmice?

Chegaram a sugerir que a Flip fosse transferida para uma cidade maior, já que Paraty mal comporta o contingente de visitantes. Sabe, eu aceitaria várias mudanças numa boa, sou a favor de experimentar. Mas jamais trocaria aquele local. Porque, para mim, Paraty traduz perfeitamente a essência da literatura, que é viver outra vida em outro mundo.

Quem participou alguma vez da Flip entende o que estou dizendo. Tentarei explicar, em poucas palavras, para quem nunca foi.

A festa começa sempre numa noite de quarta-feira, com solenidades e show de abertura. Até esse momento, já li a programação inteira, acompanhei as notícias no site, comprei ingressos para uma ou outra mesa, enfim, estou ansioso. Quando soam as primeiras notas no palco, ainda estou em São Paulo, trabalhando. Chegarei a Paraty apenas no sábado, quando muita coisa já aconteceu. Infelizmente, é o máximo que posso fazer.

Tudo bem, não tem problema, entro no carro e parto cedinho. A estrada oferece paisagens maravilhosas. O frio vai ficando para trás, o sol do Rio de Janeiro começa a dar as caras, sei que estou perto.

Este ano, havia obras na estrada. Trânsito parado, sensação de que não vai dar tempo. Até aqui? Ai, ai...

Chego em cima da hora, estaciono onde dá e aperto o passo para alcançar a tenda onde ocorrem os debates. Então, acontece. Sou dominado pela magia que só a cidade de Paraty tem. Ao pisar nas ruas do centro histórico, pavimentadas com aquelas pedras enormes e irregulares, as casinhas pintadas de branco, os batentes coloridos, um monte de gente papeando com alegria no rosto e sacolas na mão... a realidade se transforma. É a tal essência literária de que falei.

Sou imediatamente transportado para outro mundo. Diminuo a velocidade, respiro fundo, sinto cheiro de praia e livro no ar. Cedo à ficção.

O tempo se espreguiça em Paraty. Vira página por página, vagueia sem compromisso pelas linhas. Conheço a cidade desde criança, mas ainda me perco em suas ruas. Elas foram feitas para isso. É fabuloso.

Assisto aos debates, que têm sempre um tom gostoso de informalidade. Os autores falam de seus livros, do método de escrita, do que têm lido ultimamente. Falam também da gozada — e perigosa — experiência de beber caipirinha e depois sair para um passeio. Invariavelmente alguém se perde. Ou acaba virando o pé, perdendo o chinelo e caindo de bunda. Ouvi isso da boca de diversos estrangeiros.

Diz a lenda que a cachaça é que dá o molejo para pular de pedra em pedra sem se machucar. Pode ser verdade, não faltam cachaçarias por ali. Ainda assim, prefiro deitar os olhos no chão.

A plateia faz perguntas e, terminado o bate-papo, saio à caça de um lugar para almoçar. Tem sempre um restaurante charmoso à espera. Aproveito para dar uma volta, ver as crianças brincarem com os livros que pendem das árvores, na praça, e com os bonecões feitos com papel machê, inspirados em faz de conta.

Depois do almoço, a sobremesa vem trotando pelas ruas em carrinhos de doces típicos. Pé-de-moleque, quebra-queixo, cocada, bolo de mandioca. Bate um sono danado. E também uma vontade de pertencer ainda mais àquilo tudo, de ficar ali para sempre.

Tem muito mais na Flip. Lojas, estandes de editoras, shows, bares animados, cafés, saraus, artistas de rua... Programação para todas as idades. O que eu mais gosto, no entanto, é deixar o mundo real durante algumas horas para participar daquela fantasia coletiva, em que as pessoas se divertem em torno de um bem comum: o amor à literatura.

Assim que voltei para casa, li um artigo em que Liz Calder, criadora do evento, se dizia muito satisfeita e que não pretende fazer mudanças drásticas. Para ela, a Flip atingiu o tamanho certo, não precisa crescer mais. O que precisa haver é outras festas similares no Brasil.

Reconheço o esforço de quem lê em tempos de internet, TV, congestionamentos e horas extras. Quem contraria a falta de paciência, a ansiedade por informação, o conhecimento objetivo, a velocidade acelerada do mundo real. A ficção tem seu próprio tempo, assim como Paraty. Também como Paraty, ela exige que você se deixe envolver, que entre no ritmo. Caso contrário, você tropeça e cai de volta na banalidade do dia a dia.


Edu Almeida
publicitário, crítico e historiador da arte
Jornal Correio Popular/Editoria Caderno C/Campinas 26/7/2012



* * *
Imagens: 1-Augusto Gomes / 2–Carol Lobo

sábado, 14 de julho de 2012

Parte da trilha





É preciso brindar o destino
É preciso gritar começou
Se jogar nessa dança na vida
Sem medo do escuro

Impossível não falar de amor

Cada vida tem a sua estrada
Acredite no poder das palavras

É preciso falar
A verdade


(Trechos da música É preciso - A próxima parada)

* * *
Clipe oficial




Confira a letra completa aqui.

Outras versões bem interessantes: