sábado, 30 de janeiro de 2010

Procurando Elly






Faz um bom tempo que não comento sobre filmes por aqui e para começar bem o ano falando sobre isso, nada melhor que comentando sobre um ótimo filme. Na semana passada, em Santos, tive a grata surpresa de ver em cartaz Procurando Elly. Aliás, nos últimos anos sempre tenho assistido a bons filmes nesta cidade. No ano passado foi lá que vi Se fosse você 2, que até estou com vontade de rever.

Um filme de suspense de altíssima qualidade, recheado de diálogos ásperos e interpretações viscerais do elenco, Procurando Elly surpreende desde a cena inicial, num roteiro pouco convencional. A trama se passa no Irã e mostra uma viagem de grupo de amigos bem-humorados e cheios de entusiasmo, numa atmosfera bem leve e descontraída – mostrando, por sinal, uma faceta que eu não esperava daquele país, ainda mais com carros franceses e o uso do celular, aparentemente tão ocidentalizado.

O grupo de amigos, formado por alguns casais e crianças, sai de Teerã para passar um fim de semana numa casa na praia. Fazem parte da turma, dois solteiros, Ahmad, um cara recém divorciado que mora na Alemanha e a Elly do título, uma professora da filha da ingênua Sepideh, que promoveu o encontro entre os solteiros. Os amigos de Ahmad armam algumas situações para que os dois possam se conhecer melhor, mas Elly demonstra uma certa timidez e se esquiva um pouco, e de uma hora para outra insiste que precisa ir embora. Porém, a amiga tenta fazer de tudo para impedir. E sem explicação aparente, Elly desaparece.

A partir daí o clima muda, fica sombrio, vertiginoso, confuso e tenso. Vários personagens acusam um ou outro pelo desaparecimento da moça, chegando a exibir o lado escuro de suas personalidades, mostrando suas desavenças, cada um procurando livrar a própria cara, até que iniciam uma investigação para tentar encontrar Elly.

Aos poucos, entre verdades e mentiras, permeadas de críticas contra a pobre da moça, surgem algumas surpresas que fazem a gente perceber que há muito mais por trás do misterioso sumiço de Elly. Os personagens e nós, passivos espectadores, tal como eles, todos aflitos, descobrem quem realmente era Elly. Ao mesmo tempo, vamos entendendo melhor os costumes e os conflitos éticos e culturais iranianos, com dogmas tão arraigados e difíceis de serem superados. Além de ficar muito mais evidente o quanto a omissão pode ser bem mais destrutiva que qualquer outra coisa. Principalmente num país fundamentalista onde a mulher iraniana não tem vontade própria, passando obrigatoriamente por situações hostis.

Numa narrativa tortuosamente arquitetada, numa direção preciosa de Asghar Farhadi, num roteiro com detalhes apenas aparentemente casuais, a gente acompanha profundamente o desespero de cada um e o quanto um simples passeio pode se tornar um inferno. Eu, particularmente, me coloquei lá dentro da casa, chocado e intensamente curioso com o que aconteceu com ela. E no final, quando estão tentando tirar um carro atolado na areia da praia, me vi rindo silenciosamente da situação dos personagens, pois a cena, ironicamente, sintetiza de forma emblemática o estrago que os dias que, outrora, foram reservados para alegria e prazer provocaram no sentimento de todos.

Destaco especialmente uma outra cena. É quando Elly está brincando com as crianças, empinando uma pipa na praia. A sequência é espetacular, com a câmera acompanhando a personagem, com cortes abruptos, mostrando Elly indo e vindo, rindo, toda contente, leve e solta e, num dado momento, tudo isso é interrompido sem maiores explicações.

Outra coisa que destaco é a fotografia do filme. As cenas, na primeira parte, são bem iluminadas, ambientando a alegria. Já na segunda parte, são escuras, para exaltar a tensão que o roteiro exige. Tudo isso são detalhes que enriquecem este filme que é cinema puro. Além de apresentar um ótimo retrato das relações humanas, contribuindo, assim, à reflexão sobre as nossas próprias relações. Recomendo. Não perca a chance de assistir, especialmente se você curte filmes não hollywoodianos. Pena que não se vê muito disso nos cinemas brasileiros.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Escondendo a saudade






Interessante como as músicas mexem com a gente. Eu estava vindo pra Santos, curtir o restinho das férias, ouvindo músicas, como sempre, e, pela primeira vez, descia a serra ouvindo música clássica. Embalado pelas maravilhas de Mozart e Brahms, mesmo surpreso comigo mesmo, eu estava gostando. Surpreso pelo fato de ter escolhido esse estilo, pois em todas as minhas viagens, coloco pra tocar as músicas alegres, cheias de ritmo, podendo ser pop rock nacional ou internacional, ou algumas bem mais dançantes, típicas de danceterias, mais vibrantes. Dessa forma, me sinto melhor, como se elas me preparassem ao meu destino, onde procuro muita movimentação e alegria. Normalmente, escolho as músicas clássicas quando quero relaxar, sem pensar em nada específico ou quando estou no campo, aproveitando a natureza ou lendo um livro. Viajando, nunca. Ainda mais rumo ao litoral. 


Como sou muito saudosista, no meio do caminho lembrei quando tinha pouco mais de 20 anos (faixa de idade onde tudo tá bom, qualquer coisa tá valendo, desde que tenha muita alegria, risada, zueira, um canto pra dormir e cerveja gelada, claro).

Muitas vezes formávamos uma turma de doze jovens em três carros, moças e moços, casais e solteiros, e sempre que possível descíamos rumo ao Guarujá. E dentro do carro ouvíamos as músicas mais tocadas da época. Muito gostoso viajar com o carro cheio, todo mundo rindo das piadas ou cantando.

Geralmente viajávamos à noite, e logo que chegávamos ao apartamento em Astúrias, ou Enseada, qualquer lugar, nem desfazíamos as poucas malas. Era colocar as bebidas pra gelar e correr para matar a saudade no calçadão. Na volta, ou quando não saíamos, era obrigatório ter cerveja gelada na mão, jogando Imagem & Ação até amanhecer. Mesmo dormindo mal, ou nem dormido, a pressa era de pisar na areia, dar uns mergulhos, jogar vôlei e jogar muita conversa fora debaixo do guarda-sol. Aproveitávamos tanto que nem sentíamos tanta dor da volta.

Engraçado e chato como as coisas podem mudar tanto. Aqueles jovens hoje são quarentões, casados ou descasados, com filhos adolescentes, levam uma vida um tanto quanto sedentária, fizeram outras amizades e mal dão as caras. Alguns casais até fazem as mesmas viagens, se hospedam em locais semelhantes, mas nem se preocupam em formar aquela turma de novo. Colocam obstáculos ou julgam erroneamente que ninguém vai topar se juntar para lembrar ou reviver os momentos engraçados e alegres. Nem dá pra entender direito como deixamos isso acontecer. Acredito que registrando aqui, um pouquinho desse passado gostoso, me sinto melhor.

E foi por essas e outras lembranças que, ainda lá na estrada, decidi trocar o repertório - adeus Bach, adeusinho Liszt, até breve Schumann, até qualquer dia! - e mandei ver no dial. E para a minha surpresa numa das estações estava tocando justamente umas das que mais gostávamos de ouvir dentro do carro: The Beggining, do Seal. Esta “coincidência” [não acredito em coincidências] me deixou pasmo. Mas também me senti alegre, carregado de bons fluídos, seguro de que vinha coisa boa por aí em Santos, e, assim, deixei a saudade daquele tempo escondidinho num cantinho do coração, outra vez.

* * *
Hoje pode não parecer, mas esta música, na Rodovia dos Imigrantes, no carro com a galera, dava uma sensação muito gostosa em todos nós. Talvez você goste.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Viver





“Viver é a coisa mais difícil do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”
Oscar Wilde
* * *

Bom, quinze dias de um novo ano, e eu aqui torcendo para que a vida tenha mais sentido, que seja de muitas mudanças significativas, do jeito que aspiro faz um tempão. Sinto que minha vida se move mais rapidamente e de uma forma mais constante. Nem sei direito se fiz algo pra provocar tanta mudança, ou se tem algo a ver com alguma força interior ou exterior alheia à minha vontade (vai saber...). De qualquer forma, vou me permitir, vou me abrir, para algumas novas experiências que vão bater à minha porta e eu as receberei amavelmente e tornarei tudo muito mais agradável.

Nunca tive e jamais terei medo de errar, principalmente quando a felicidade e novas emoções estão em jogo. Decididamente vou me entregar com mais vontade, mais afinco. Como é que dizem mesmo? Sem medo de ser feliz!

Já coloquei por aqui o quanto aceito e procuro mudanças. Inclusive, em se tratando de mudanças, tenho usado este meio para desabafos e acho que está na hora de maneirar um pouco.

Sinto que novas perspectivas estão chegando, que novas alterações, sejam elas boas ou ruins, virão com mais intensidade – e eu estarei preparado para elas. Vencerei meus medos, tanto os novos e os que insistem em voltar, e crescerei com eles.

O cara cordial, amável, conciso, ponderado, vai permanecer, parecendo que nada mudou - exceto para quem enxergar mais além. Ou me ouvir.

Olho a minha volta, reflito muita coisa, como nos passeios que fiz recentemente, nas pessoas com quem conversei, nos filmes intimistas que assisti, nas questões filosóficas que permeiam a vida e não resisto fazer uma leitura de mim mesmo: me conheço mais; exijo mais de mim e dos outros; sinto tudo; vivo tudo. Muito mais que antes, e por isso mesmo, mais vezes darei asas à imaginação e, assim, serei levado para qualquer canto que não seja sombrio e torpe como muita coisa da vida real, que é infelizmente inevitável durante parte da caminhada, mas que me conduza para um lugar radiante e aconchegante, num átimo de conforto, que promova um descanso tão bom que nem sinta tanta vontade de querer voltar.

E ao abrir os olhos, como sempre me sentirei mais completo, buscando viver intensamente todos os dias como se fossem os últimos.

* * *
O clipe do mês é de uma música bem gostosa e envolvente do Trashcan Sinatras, January’s like joke.







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Ilustração: daylyartpress.com

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Acredite em você






Nunca duvide, nunca deixe de acreditar, na sua capacidade de realizar seus sonhos.

Provavelmente você não vai realizar todos no próximo ano, mas com convicção e esforço, conquistará o que deseja nos anos seguintes. E se mesmo assim, caso não obtenha algum sucesso com um ou outro desejo ao longo da vida, contente-se com o que possuir até então. A satisfação pelo que conseguiu lhe fará sentir o gosto da vitória e ninguém melhor que você saberá o quanto valeu a pena lutar.

No entanto, apesar de tudo, nunca pare de sonhar, de desejar algo melhor em tua vida. A busca do desejo é um fator determinante da evolução humana e até mesmo quando ficamos insatisfeitos por algo não obtido, serve de alavanca para a busca de uma nova conquista, causando uma evolução em nós mesmos. Faz parte do ciclo da vida de cada um de nós.

Tenha um ótimo, sensacional, espetacular e feliz, claro, 2010!


Márcio Luiz Soares

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Arte: André Sanches
Clique na imagem para ver em tamanho maior.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Receita de Ano Novo





Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fakes





Na semana passada, dei de presente para minha amiga Erika Rolim um livro de crônicas do Arnaldo Jabor. Enquanto comprava, lembrei de um texto dele que eu li recentemente num jornal. E voltei a lembrar hoje, após receber uma mensagem com um texto que acham que é do Arnaldo Jabor, mas que não é. O texto do Jabor que mencionei é justamente sobre os textos que estão sendo espalhados todos os dias pela internet como sendo dele e que na verdade não são - e o artigo da mensagem que recebi também foi comentado – além de perfis falsos em diversas comunidades. Decidi reproduzir a crônica por aqui numa tentativa de colaborar na divulgação, já que muita gente nem deve saber dessa publicação feita nos jornais em que ele é cronista.


* * *
Blogs, Twitter, Orkut e outros buracos
.
Existe um “sub-eu” vagando na internet

Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei neste terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, este nome que parece um coaxar de sapo boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer... Olho as opiniões, as discussões “on-line” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente. O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas on-line.

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “Google”, (“goggles” — olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecno-ciência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no País, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de “funcionar” — não de viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.

Escritores Fantasmas

O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas, estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de emails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam — “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’”

“Não fui eu...”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah... É teu melhor texto...” — e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “anti-spam” para bobagens.

Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!”... Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!” Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou...”)

Vejam as banalidades que me atribuem:

“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”

Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.”

Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado Seja Idiota!...

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar. Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada, não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosnuam enfiando na ise honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro — gosta de apanhar ...”

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito esta sordidez.

Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?


Arnaldo Jabor é escritor, jornalista e cineasta


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Texto extraído do Jornal Correio Popular, de 3/11/2009, Campinas/SP
Foto de: The Smoking Gun (site)

sábado, 12 de dezembro de 2009

O meu dezembro




Finalmente estou postando em dezembro. Este mês que eu não via a hora de chegar! Pois ele traz consigo o encerramento de um ciclo, entre tantos outros que permeiam as nossas vidas.

Foi um mês muito desejado por mim, devido a tudo que passei nos últimos meses. Infelizmente, coisas desagradáveis estão acontecendo, que influenciará irreparavelmente o meu futuro. Portanto, mais um motivo para eu criar uma espécie de meditação especial:

Que meu dezembro seja tranquilo e, caso não seja, que ao menos não esbarre em nenhum pingo da turbulência dos meses anteriores. Que ele também seja de paz. E que se não for totalmente, que ao menos acalente meu coração, me oferecendo o reencontro de amigos queridos e de familiares de ontem e de hoje. Que me faça agir da maneira que mais gosto: com simplicidade.

Que este meu querido dezembro feche mais um ciclo, mas que antes disso abra a minha mente para o que se aproxima e para o que se foi. Que ilumine a minha nova estrada. Que não me tome a chave da porta da realidade nua e crua. Que não leve a chave do portão da fantasia - que nunca vai me largar mesmo.

Que o meu maravilhoso dezembro deste ano me faça lembrar dos dezembros dos outros. Que me faça sorrir pelos outros dezembros que virão. Que me faça sorrir o tempo todo, nem que seja no recôndito do meu ser ou nas profundezas da minha inefável solidão.

Que meu dezembro de agora me dê de presente a mim mesmo. Que traga um verão de alegria. Que acaricie meus sonhos. Que lance um dedo de prosa com Deus. Que limpe meu coração da dor da perda. Que encha de flores alegres o meu jardim de objetivos. Que traga flores com espinhos também. Que me traga um pouco de tristeza (é inevitável mesmo...) - para que me ofereça mais momentos de felicidade. E que não sejam apenas os “meus” momentos, mas que me lembrem de ir atrás deles.

Que meu dezembro continue a ser o que sempre foi para mim e o que sempre será: um mês de reflexão; da busca do que deixei para trás e do que desejo; além da busca da fé, tendo sempre a esperança de que um mundo melhor se aproxima.

Enfim, que o meu dezembro não seja melhor nem pior que de ninguém. Mas que ele seja único.

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Como de praxe, segue o clipe do mês. Ou clipes. A canção é muito bonita, dona de uma letra interessante e interpretada com muita expressividade pelo vocalista. Bom, Linkin Park dispensa comentários, certo? Você escolhe qual quer ver e ouvir: o primeiro clipe, ao vivo com legendas em português ou o segundo, versão de internauta, da gravação de estúdio, maior, com o som muito melhor e com legendas em inglês.

Quer saber? Veja os dois e aproveita pra refletir sobre este ano. Nos dias que te trouxeram alegrias, tristezas, dores, planos, sonhos, muita emoção, talvez alguns sacrifícios, amizade, amor. Enfim, na vida.