Ilustração de Pawel Kuczynski
quarta-feira, 27 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Saudade
“Parcele a saudade. Ela é
insuportável quando deixamos para lembrar tudo num só dia.”
Fabrício Carpinejar
domingo, 10 de junho de 2012
Alimente o lobo
Alimente o lobo que está dentro de
você.
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***
Ilustração: Fábio Moon e
Gabriel Bá.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Minha amada inatingível
“Eu realmente faço tudo pelos
seus desejos?”
Esta pergunta se repete dentro
de mim. Invade meus pensamentos de forma implacável e lamuriante, sempre que a
imagem daquela que é a minha musa, a minha paixão inatingível, surge, do nada, confundindo
meu raciocínio.
Tem sido assim há dias. Ainda no início do conflito em que me vi jogado, me fazendo sentir como se fosse uma
bituca de cigarro abandonada por já ter servido aos seus propósitos, percebi o
quanto podia me afundar cada vez mais - mas tudo estava sendo tão deliciosamente
inebriante! No entanto, a cada confusão mental entremeada de lembranças de
palavras que quiseram se libertar, de atitudes que foram pequenas diante da imensidão
de meus desejos, meus sentidos eram aguçados diante de tudo que é verdadeiramente
belo: das folhas das árvores acariciadas pelo vento; da ópera dos seres alados gracejando da própria alegria, num evidente agradecimento
por existirem; do encantamento da luz solar,
mergulhando entre os espaços, fingindo não encontrar obstáculos e aceitando a
derrota perante o concreto, nem sempre frio, feito pelo homem.
Mas por mais pungente que fosse
todo esse redespertar para a vida, essa sensibilidade apenas servia para
dinamizar a fraqueza diante de uma ilusão alimentada pelos diálogos aquecidos
por um instrumento que encurta distâncias. Esse monstro vil e maravilhoso, ou
maravilhosamente ordinário, feito de códigos binários que se chama internet, que
minimiza as perdas do tempo, que relativiza as ideias, que desafia a emoção, além
de sobrepujar o entendimento daqueles que não se fazem de inocente.
Perdido em mim mesmo, rogo auxilio
a Afrodite, mas sabendo que em breve terei que recorrer a Lilith. Sei que não
terei alternativa, pois já me encontro mergulhado na minha fúria insana provocada
pela efusão.
E a causa disso tudo é por
ainda não ter encontrado a resposta para a pergunta que me coloca em xeque
diante da premissa que escolhi para ser o meu lema de vida, mesmo depois de concluir
que a simplicidade é o melhor modo de viver: "eu faço tudo pelos meus desejos".
Ou o que posso.
Nesse exato momento, lá vem ela
outra vez. Puxo facilmente da memória. Aliás, não faço isso, não preciso. E nem
conseguiria fugir se tentasse. As lembranças simplesmente bombardeiam minha
mente - sua imagem sólida feita de pixels, suas palavras que pouco ouvi, que me
provocam, provam que não fiz o suficiente. Talvez nunca faça. Qualquer
exposição de meus sentimentos não foi capaz de frear sua recusa diante de uma
oferta irrecusável para outras que não existem. Insólito!
Luto, esbravejo em silêncio,
numa vã tentativa de me soltar dessas rédeas que me afogam no mar de angústia,
justamente porque ela, a minha musa quase desconhecida, minha amada inatingível,
ignora meus sentimentos. Apenas sabe que eu existo. E nada mais.
Então, nesse momento inusitado
de desabafo, recebo de mim mesmo, de forma fria e inexorável, a resposta da pergunta que tanto me machuca e corrói por
dentro: “Não, não faço”.
A dor aumentou.
Que Lilith me ajude.
Márcio Sclinder
terça-feira, 29 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
As três peneiras
Certa feita, um homem
esbaforido, achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu
amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular.
- Espera! - ajuntou o sábio
prudente. - Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
-Três crivos?! – perguntou o
visitante, espantado.
- Sim, meu caro amigo, três
crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da
verdade. Guardas absoluta certeza quanto àquilo que pretendes comunicar?
- Bem - ponderou o interlocutor
- assegurar mesmo, não posso. Mas ouvi
dizer e… então…
- Exato. Decerto peineiraste o
assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas
saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou:
- Isso não!… Muito pelo
contrário…
- Ah! – tornou o sábio – Então
recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade. E notemos o proveito do que tanto
te aflige.
- Útil? – aduziu o visitante
ainda agitado. – Útil não é…
- Bem – rematou o filósofo num
sorriso - se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil,
esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem
edificações para nós.
* * *
E você? O que você conta por
aí é realmente verdadeiro, bom e útil?
***
Imagem: de Atila Naddeo (2007) –
Blog Olhares
terça-feira, 22 de maio de 2012
Contextualize
Eu
faço de tudo
Pelos
meus desejos
Penso
Como
vai minha vida
Alimento
todos os desejos
Exorciso
as minhas fantasias
Todo
mundo tem um pouco de medo da vida
Pra
que perder tempo
Desperdiçando
emoções
Grilar
com pequenas provocações
Ataco
se isso for preciso
Sou
eu quem escolho e faço
Os
meus inimigos
"Saudações
a quem tem coragem"
Aos
que estão aqui pra qualquer viagem
Não
fique esperando a vida passar tão rápido
A
felicidade é um estado imaginário
Não
penso
Em
tudo que já fiz
E
não esqueço
De
quem um dia amei
Desprezo
os dias cinzentos
Eu
aproveito pra sonhar
Enquanto
é tempo
Eu
rasgo o couro com os dentes
Beijo
uma flor sem machucar
As
minhas verdades
Eu
invento sem medo
Eu
faço de tudo
Pelos
meus desejos
Pense,
dance, pense, pense, dance
De
olho no lance
Pense
e Dance - Barão Vermelho
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