quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A curiosa fábula de Benjamin Button







Tenho um especial interesse por fábulas. Principalmente quando elas tratam do entendimento da morte. Quando esse é o tema, é praticamente difícil ou impossível não tratar também sobre a vida e o amor. Por mais melancólica que seja o final de uma narrativa que aborda tais temas em conjunto, temos que considerar que faz parte da história de cada um de nós e admitir e aceitar que o destino da grande maioria é envelhecer. E nesse processo, viver a vida da melhor maneira possível, com sabedoria, absorvendo cada experiência, amando as pessoas que consideramos e se apaixonar pelo uma menos uma vez.

Mais uma vez fiquei convicto dessas afirmações quando terminei de assistir O Curioso Caso de Benjamin Button, dirigido habilmente por David Fincher e estrelado por um Brad Pitt surpreendente e pela bonita, ótima e fabulosa Cate Blanchett.

A história, nada convencional, é uma adaptação de um conto que F. Scott Fitzgerald escreveu em 1922 sobre um homem que nasce velho (cerca de 80 anos), vai ficando jovem com o passar dos anos e morre bebê. Fiquei tão interessado que vou procurar saber se existe alguma publicação brasileira deste conto. Já descobri que o roteiro do filme não é muito fiel ao conto, o que aumentou o meu interesse pela obra.

A passagem do tempo é bem explorada neste drama épico e romântico. Abandonado ainda bebê na porta de um lar de idosos, Benjamin Button é adotado pela encarregada desse asilo e cresce na companhia dos moradores à beira da morte. O menino-velho passa boa parte de sua “infância de velhice" em uma cadeira de rodas ou com muletas, no entanto, gradualmente supera as deficiências causadas pela idade avançada à medida que chega à vida adulta.

Ficar sentado durante 160 minutos e nem perceber, não se cansar, significa que fiquei magnetizado pela história, pelo filme, pelas interpretações, pela fotografia e pelas músicas. O filme já começa interessante, logo nos primeiros segundos, logo nas vinhetas dos estúdios que o produziram, Warner e Universal, com suas vinhetas fazendo referências aos botões (buttons, em inglês). Muito bem bolado.

Ver um filme em que o sentimento é aplicado tão bem em suas nuances, em cada enquadramento, em cada interpretação, só podia ser obra de um detalhista. Assim julgo ser o diretor David Fincher, pois me fez captar muita emoção durante o filme todo. Detalhes que podem ser notados também num simples amanhecer, numa dança ao luar, num veleiro em alto mar, e na mudança física dos personagens. Todo cuidado que o diretor teve é merecedor de uma certa atenção pelo público.

Sei lá se estou exagerando, mas fiquei maravilhado e duvido que não fique novamente após rever várias vezes este belo filme. Também duvido que eu não faça uma nova descoberta em cada vez que rever. Aliás isso costuma acontecer...

Nada no filme parece ser forçado (talvez quando solta uma música melancólica em cada momento triste - mas isso já se tornou tão normal e natural nos filmes, especialmente os hollywoodianos, que passa batido), fazendo a gente absorver cada minuto de filme sendo cúmplice de um homem marcado pelo tempo e que não apenas ele mas nós também sabemos o que vai ocorrer. Nós sabemos justamente porque vai acontecer conosco. Só que no caso é ao contrário. A gente envelhece a cada segundo, enquanto Benjamin Button rejuvenesce. E se ele rejuvenesce, fica fácil adivinharmos o que acontecerá com o personagem no fim do filme. Mas não adivinhamos "como" os demais personagens lidarão com isso, nem com o próprio Benjamin Button.

Como já mencionei, Brad Pitt está surpreendente no filme, esbajando talento. Muito mais do que vi em Seven, em Clube da Luta, em Os 12 Macacos, em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, ou, ainda, em Snatch - Porcos e Diamantes. Se ele for pelo menos indicado ao Oscar, será totalmente merecido.

Não menos surpreendente foi a maquiagem utilizada nos atores. Assim como alguns truques digitais cada vez mais perfeitos. É estranho ver o rosto envelhecido de Pitt num corpo de alguns atores velhinhos, porém, estão bem convincentes. E não menos convincente está Cate Blanchet (observe seu sotaque sulista), interpretando com uma facilidade notável e admirável.

Bem depois do filme, enquanto me preparava para fazer esta postagem, e ainda agora, escrevendo, algumas coisas me passaram pala mente: saudades do filme Forest Gump - afinal uma outra fábula grandiosa e que têm certas semelhanças; que não se trata de um filme feito somente para ganhar simpatia do público por ter um final que pode nos fazer chorar; que a história é uma celebração do quanto o ser humano pode ser incoerente até consigo mesmo; que esse filme pode ser recebido de formas bem divergentes por cada espectador; que devemos buscar incessantemente nosso caminho no mundo; o quanto somos vulneráveis, em tudo, principalmente quando envelhecemos rápido demais e o quanto sofremos com isso por sabermos a dor que vamos passar - é a ordem natural do universo; que não devemos ter medo da velhice e da morte, mesmo sabendo que esse medo pode definir nossa vida, o que objetivamos e desejamos para ela, por exemplo; e que quanto mais a gente ama alguém, mais temos a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, dolorosa e inevitavelmente, vamos perdê-la.

5 comentários:

Sérgio disse...

Oi Márcio. Li uma crítica sobre o filme falndo que o filme não é tudo isso que dizem por aí e que somente o Brad Pitt merece reconhecimento. Bom, sempre concordei com os seus comentários sobre filmes e sempre bateram com os meus. Duvido que eu não goste desse filme, não vejo a hora de assistir!
Abraços

Ana Luisa disse...

Meu querido, adorei esse filme! Muito lindo e muito profundo! Fui depois que li os seus comentários, já sabendo que era coisa boa e não me arrependi. E o Oscar tá chegando! rs Beijos

Ana Luisa disse...

Meu querido, adorei esse filme! Muito lindo e muito profundo! Fui depois que li os seus comentários, já sabendo que era coisa boa e não me arrependi. E o Oscar tá chegando! rs Beijos

Anônimo disse...

eu ia comentar aqui q não tinha visto td isso q vc disse, mas me chamaram pra ver o filme de novo e como fui boba, foi como se eu nunca tivesse visto o filme! vc tava certo e agora passei a amar o filme! bjinhos
Samantha

Sérgio disse...

Um grande filme comentado por uma pessoa que sabe assistir um filme de tantas mensagens! Estranhamente você me fez ver o filme de uma maneira mais simples. Muito bom.