domingo, 28 de novembro de 2010

O verdadeiro lar





Morei na mesma casa a infância toda, com jardim e árvore de manacá em meio a margaridas. Meu primeiro lar de casada foi bem pequeno, com apenas um quarto. Depois de dois anos fomos para outro, de dois cômodos.

Com a chegada do primeiro filho, nos mudamos. Vieram mais duas crianças e fomos para outra residência, enorme, que tivemos condições de arrumar em detalhes. Um dia, o velho lar pareceu grande demais para uma só pessoa, eu.

Na mudança, encontrei livros que não li, álbuns de fotos inacabados, cartas e cartões e muita saudade de mim mesma. Quando terminei a arrumação, percebi que a casa estava leve, como eu me sentia. Não queria mais ir para outro lugar.

Muitas vezes precisamos da mudança física para descobrir nossa mudança emocional. Nossa casa pode ter jardim, escadas e corrimão, mas sempre será só uma casa. Nosso lar nós carregamos dentro do peito. E, se ele está feliz, não importa endereço, jardim, parede, vizinhos, ser só ou não. Morar no coração e de coração é o verdadeiro lar!


Eliana Linares

2 comentários:

Madá disse...

oi Márcio, que texto lindo..faz mt sentido pra mim. Ando às voltas com vontades de fazer limpezas e arrumações em casa, algumas faço..outras sei que dependem de algumas despedidas dentro de mim... cada cantinho, cada objeto tem sua história e emoção que foi transformando a casa em lar.Adoro estar em casa com os filhos, ler, cozinhar algo, ler, ficar em silêncio na varanda, receber a família e os amigos...isso é bom demais!
Saudades de vc.. beijos

Cláudia disse...

Mudar seja lá de que maneira for, é sempre bom, mas emocionalmente é tuuuuuudo! Renova-se a alma.
Beijos