quinta-feira, 19 de março de 2009

O Mundo da Filosofia





Estou aqui mais uma vez diante do monitor acompanhado de uma bela taça de vinho tinto (pra variar), ouvindo um álbum do Vangelis [Mon Dieu, que combinação estrondosamente esplendida!], e decidido a contar um pouco sobre um livro que terminei de ler há alguns dias, O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder.

Já comentei por aqui quando, no lugar dele, peguei na biblioteca do Sesc um outro livro do mesmo autor, O Dia do Curinga, que também tem a filosofia como tema. Ambos são livros admiráveis. Raramente eu leio livros de um mesmo autor num curto intervalo de tempo. Desta vez não resisti. Acredito que é devido ao meu recente reinteresse por filosofia.

A forma como o autor desenvolveu esse romance, fazendo a gente refletir junto com seus personagens, ao mesmo tempo em que tomamos conhecimento da história da filosofia desde o princípio, é no mínimo magistral. É conveniente que eu ressalte aqui o quanto a evolução da filosofia é tão fascinante como a própria filosofia. Durante a narrativa, ficou claro, ao menos para mim, que seu objetivo não é simplesmente demonstrar como a filosofia evoluiu ao longo dos séculos, nem somente fazer a gente compreender os processos naturais, mas fazer com que o leitor, por meio de reflexões e de suas conclusões, entenda o que somos, para que viemos, para onde vamos e que se sinta parte de um todo, além de se conscientizar do motivo de tudo o que acontece ao seu redor e que ninguém é imutável. Isso num sentido mais amplo, sem arquétipos ou determinações religiosas, numa conscientização muito mais intimista, introspectiva e profunda. Fazendo com que a gente não se transforme em pessoas indiferentes e insensíveis, continuando a se surpreender com o que se passa à nossa volta, pois se surpreendendo, tornamo-nos mais capacitados a refletir sobre algum assunto em questão, que por ventura esteja em evidência.

O autor misturou, dentro da história, realidade e ficção e ficção dentro da ficção (uma realidade paralela), e, assim, cheguei a pensar outra vez se não seríamos personagens de algum autor fantástico e manipulador (a primeira vez foi assistindo Matrix). Na verdade, uma sacada legal do autor, para que a gente perceba o quanto de aventura é a nossa própria vida, desse grande palco da qual não somos meros espectadores. Ao mesmo tempo, nos mostra como a filosofia pode deixar de ser intangível, sem grandes mistérios, que nada mais é do que um meio de apresentar o quanto o ser humano foi e é inquieto, e, num sentido mais abrangente, o quanto necessitou, ao longo de toda existência humana - e que na verdade necessita até hoje -, buscar referências das nossas condutas diante do universo, da sociedade e até de Deus.

Ao fechar o livro, meio que perdido em meus pensamentos, seria impossível não concluir o quanto estamos longe de atingir um nível adequado de percepções e reflexões, da importância da filosofia - do quanto pensar filosoficamente com discernimento apurado é indispensável a qualquer ser humano, para que ele tenha um crescimento substancial como indivíduo, como ser pensante e atuante -, mas que, infelizmente, não é tratada com o devido respeito e atenção pelos que administram a educação.

No entanto, sem excesso de otimismo, diante de determinados acontecimentos e mobilizações culturais, mesmo que ainda tímidas, lentas e silenciosas, não considero que evoluir a tal ponto seja uma utopia: um dia chegaremos lá. Para ter certeza, basta que você olhe para trás e veja como tudo começou. Se precisar de ajuda, leia o livro.



Márcio Luiz Soares

5 comentários:

Ana Luisa disse...

Márcio, sou muito fã da filosofia, e também do autor e na minha opinião você fez ótimas colocações a respeito do tema e do romance. Também gostei muito da foto: tudo a ver com o livro! Lembrei na hora sobre a passagem que conta sobre o brinquedo de montar da Lego. E ver o Pensador estilizado com Lego me arrepiou! rs Quem montou deve ter lido o livro, só pode! rs Você e suas fotos, arrasando sempre! rs
Só uma ressalva: acho que você devia ter acrescentado, contado um pouco, sobre o envolvimento da Sofia com Alberto, Hilde e Albert, enfim, os personagens principais. Acho que seduziria um pouco mais quem ainda não leu. Ah, concordo com você sobre a falha das instituições de ensino ou do governo mesmo que não dão o devido valor ao ensino da filosofia. Acredito que no ensino médio poderiam aprofundar muito mais. Seria um auxílio e tanto na formação dos nossos jovens.
Beijos.

Luna disse...

Bom, Márcio, encantei do teu comentário, Já tenho outro livro prá por na lista dos que tenho de procurarme.
É uma pena que a ciencia e a tecnología tenham comido a filosofia, que é a base de uma forma de vida.
Muito obrigado.
Um beijinho.

Luna disse...

Márcio, ainda que já postei depois que você deixara o seu comentario, eu te respondí.
Gosto muito dos teus pensamentos e dos teus comentarios, que eu sempre respondo.
Espero que o vinho que você está bebendo seja um extraordinario
Vino tinto Rioja español, ou um Ribera del Duero.

Rioja: Maqués de Cáceres
Ribera del Duero: Alión
reserva, claro,.

Anônimo disse...

nunca tinha me ligado nessas coisas. li o Dia do Curinga e fiquei fascinada. e lendo sobre o q escreveu, impossível não concordar com vc e com as meninas q comentaram, acho q falta isso mesmo pra ver se o povo passa a ter uma visão diferente do q é viver, batalhar de maneira justa, pra vê se aprenda a observar como as coisas são e devem funcionar pra gente ter um mundo melhor, humanizado. gostei, garoto. ah, se não tomou esse vinho q a Luna sugeriu, vá em frente, tem um colega aqui dizendo q é muito bom! rs bjos
samantha

Marcello disse...

assim não dá! mal consigo terminar um livro q vc recomenda (recomenda de forma indireta, postando sobre ele aqui), pra secar minha boca (isso pq vc havia me deixado com água na boca qdo escreveu sobre ele rs) e logo tem outro pra eu colocar na lista! tá, louco!! rs e vou te dizer uma coisa, tava aqui pensando e discutindo com um colega e concordamos q o ensino no Brasil precisa mesmo de algo do gênero, pra ver se descobre seres pensantes ou se diminui a calamitosa falta de cultura dos nosso jovens. muito bacana seu texto. olhamos pra trás, sobre a evolução do ser humano, e junto com a poesia q a Giulia sugeriu, dá uma união perfeita. mas vou ter q ler o livro pra fazer mais descobertas, né, meu amigo? rs valeu, um grande abraço