sábado, 20 de setembro de 2008

Boa dose de ilusão





Gosto muito de rever filmes. Por diversos motivos, principalmente depois que passa um bom tempo. Minha escolha de ontem foi por querer assistir um filme de mistério e de suspense, mas nenhuma das opções das prateleiras da locadora chamou minha atenção. Mesmo tendo diante de mim dezenas de ótimos filmes, entre eles muitos que ainda nem vi. Como num passe de mágica, lembrei que eu havia gravado de um canal de televisão um filme do tipo que estava procurando e ainda não tinha assistido. Aliás, não tinha assistido uma outra vez, pois a primeira foi no cinema e saí da sala com aquela sensação gostosa, maravilhado. É gostoso quando isso acontece - valoriza o tempo e o dinheiro gasto com a diversão. Felizmente, talvez por fazer as escolhas certas (mesmo no escuro), isso acontece comigo na grande maioria das vezes.

Foi assim com O Ilusionista, do diretor Neil Burger. Logo no início percebemos a proposta de nostalgia do diretor. É possível reparar nos enquadramentos utilizados nos filmes muito antigos, como no cinema mudo, por exemplo. Os cantos da tela levemente escurecidos, nos remetendo ao passado do cinema. Bem sacado. O roteiro nos leva a uma trama cheia de imaginação e mistério. Burger optou por dividir o filme em duas partes, sendo que na primeira a trama é contada em flashback e narrada pelo personagem de Paul Giamatti (ótimo), um chefe de polícia, o inspetor Uhl, que fica intensamente deslumbrado pelos "truques" do ilusionista Eisenheim, interpretado pelo Edward Norton (ótimo também).

O inspetor nos leva através do tempo. Vemos um garoto humilde se apaixonar pela magia, após encontrar um velhinho mágico numa estrada. Logo depois acompanhamos o garoto crescer e encantar uma garota com suas mágicas, desenvolvendo uma forte amizade. O problema é que ela pertence à nobreza e, obviamente, são proibidos de se verem. Para resumir e não tirar a curiosidade de assistir, claro que o garoto cresce, se torna famoso e volta a ver Sophie, a sua amiguinha (agora interpretada pela belíssima Jessica Biel, surpreendentemente bem no papel). Só que ela é a noiva de um poderoso integrante da realeza, um cético disposto a desmascarar Eisenheim. Não só não consegue como também acaba sendo humilhado pelo mágico. É nesse ponto que começa toda a genialidade do roteiro - é a partir desse conflito que todo o resto da trama se desenvolve, estrategicamente elaborada. E é aqui que devo parar de contar, para não tirar a diversão e a expectativa de quem ainda não assistiu.

Se você é um cinéfilo ou não, procure prestar atenção na estética do filme, na edição em fade naquele formato de bola, bem nostálgico. Como o enredo é de prender, as técnicas utilizadas na direção, assim como na edição, na iluminação e na fotografia, poderão passar despercebidas - eis um dos motivos pra se rever um filmão desse.

Foi revendo que atentei, com atraso, para o criador da trilha sonora: Philip Glass. Com perfeição ele faz com que a narrativa do filme tenha seus ápices de dramaticidade, no instante e no tempo certo, assim como nos envolve nos momentos de suspense.

Assim é a magia do cinema, com suas técnicas faz a gente viajar e ficar no limite entre a realidade e a fantasia. E nesse filme não é diferente, na verdade, abusa disso. Tudo parece ter credibilidade, mesmo o ilusionismo, mesmo com um roteiro recheado de muita licença poética. Não há exageros inacreditáveis, apenas talento e brilhantismo. Simplesmente mágico. Sem ser ilusório.


10 comentários:

elaine disse...

Ah meu querido, nem fale como assistir a filmes bons nos lava a alma...e este não é uma exceção; mas eu ainda prefiro o "Grande Truque" que é no mesmo gênero e saiu na mesma época. Vc assistiu?! Depois me conte...Beijão!

Paula Dórica disse...

Márcio, não é todo mundo que ao comentar um filme percebe os enquadramentos e movimentos de câmera. Eu, logicamente, sinto um imenso prazer ao ler algo assim tão sensível e perspicaz. A câmera é tão importante que em muitos filmes passa a ser mais um personagem, um elemento de linguagem poderoso e mágico. Foi assim em Irreversível e é assim em muitos videos de música, como em video clipes. O Radio Head é craque nisso. Ainda não assiti ao O Ilusionista, mas vi vários outros filmes muito bons. Vou ficar devendo uma resenha sobre eles.

Paula disse...

Márcio, ADOREI o blog de vcs!!! ele é lindo, atraente, muito bem elaborado e recheado de textos legais.
Qto a sua dica de filme...QUERO ASSISTIR NA "TELONA" :( Fiquei apaixonada pelo filme, vc detalhou tão bem que me deixou com vontade de assistir.
Posso fazer um pedido? Coloque sempre no seu blog uma dica de filme, vc detalha tão bem que dá vontade de ver na hora! Confio no seu bom gosto e senso crítico bj uma ótima semana pra vc

Marcello disse...

Marcião!! dizer mais o q, depois destes comentários todos?!? mais uma vez me deixou com agua na boca! e eu, o infeliz, só hj passei por aqui, plena segundona, longe de casa e sem como passar na locadora!! agora só no findi!! droga!! kkkkkk ainda tenho a obrigação de perceber os detalhes q citou!! tomara q eu consiga!! abraços

Márcio Luiz Soares disse...

Com elogios assim nem dá pra deixar de postar dicas de filmes interessantes. Vou tentar encher esse saco com mais dicas em intervalos mais curtos entre as outras postagens - como as opções são muitas, até que a tarefa não será difícil! rs
Valew, meus queridos!!

Ana Luisa disse...

Realmente, Márcio, você coloca de um jeito que dá vontade de assistir ou de rever (como já aconteceu comigo), tentando prestar mais atenção em certos detalhes. E depois do que li, me arrependi de não ter escolhido ver este filme. Na porta da bilheteria optamos por outro, e me recordo que achamos o filme que escolhemos muito fraco. Espero achar na locadora ainda hoje.

Kátia disse...

Concordo c/ todos os comentários!
Suas dicas realmente me deixam roendo as unhas de tanta ansiedade. Amo isso! Em minha pequenina cidade não há cinema. Então vou correndo p/ locadora ali da esquina. Bjss...

Sérgio disse...

Esse filme é sensacional! Que prazer ver seu comentário sobre ele! É um dos meus preferidos. Alguém comentou sobre O Grande Truque. Também considero muito bom e cheio de surpresas, mas não tem a mesma leveza, não é tão mágico, não me fez viajar e sentir envolvido na trama. De qualquer forma é muito bom e recomendo sua postagem sobre ele, recomendando-o. Isso é, claro, se gostou do filme. Coisa que duvido que não.

Márcio Luiz Soares disse...

Concordo contigo: o Grande Truque é um filmaço, mas não provocou em mim a mesma sensação que O Ilusionista. E nem estranho que muitos tenham preferido o Grande Truque - assim como tem gente que não achou qualquer um deles lá essas coisas. Questão de interpretação e de preferência. Ainda pretendo comentar o Grande Truque por aqui, além de desejar revê-lo em breve.

Anônimo disse...

gente! q delicia! concordo com vcs, ele escreve de um jeito q deixa a gente curiosa!kkkkk tive q ver batman begins 2 vezes, mas acabei entendendo o q ele quis dizer. imaginem se não vou correndo na locadora e já vou pegar logo os dois filmes! kkkkk bjus Samantha